Opinião
O mist�rio das di�rias de ouro
Não podem restar dúvidas sobre a legitimidade do pagamento de diárias a servidores públicos. Afinal muitas são as missões a exigir deslocamento e outros movimentos justificadores desses dispêndios. O serviço público, pois, não é 100% estático e cobra desempenho além dos limites ordinários de tempo e espaço. Não devem pairar dúvidas sobre a honestidade acerca do pagamento de diárias e de quaisquer outros valores correspondentes a serviços extraordinários prestados em benefício do interesse público. Pois toda remuneração não ordinária deve ser fundamentada e, logicamente, seu valor deve preservar coerência frente aos gastos convencionais, cotidianos. Destarte, o gasto de R$ 11,7 milhões em diárias durante o ano de 2011 não pode ser visto senão como um disparate, um acinte às contas públicas e, particularmente, uma agressão aos salários reais da imensa maioria dos servidores. Tal dispêndio soa como imoral embora possa ser legal. Como se justificar um montante investido no pagamento de diárias quando esse valor é superior a todo o custeio de secretarias inteiras? Embora possam ter suas justificativas, e certamente deverão tê-las na ponta da língua, os campeões do apetite em diárias não se apresentam ao cidadão comum como explicáveis. Como entender, de chofre, dispêndios superiores a R$ 1 milhão num ano, em pagamento de diárias para órgãos como DER, Fundo Estadual de Saúde, Bombeiros e Secretaria de Educação? As aguardadas explicações não se mostraram convincentes quando das perguntas respondidas à reportagem. Espera-se que, com mais tempo de maturação pós-publicação da matéria, os gestores campeões em consumo de diárias possam apresentar esclarecimentos satisfatórios. Assim será bem melhor para a cidadania. Não se questiona a necessidade de deslocamento para o trabalho de educação e saúde, nem para fiscalizar obras nem para estudar. Questiona-se o montante dos valores expendidos e seus resultados práticos. O pior de tudo é a sensação de que milhões teriam desaparecido no ar. Ou não?