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PAIX�O DE CRISTO, PAIX�O DOS CRIST�OS

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A narrativa da entrada de Jesus em Jerusalém e de sua paixão segundo Marcos, proclamada nas ações litúrgicas do último domingo ? denominado de Ramos e da Paixão ?, revela-nos a incoerência e a inconstância do coração humano. Primeiramente, vemos um povo empolgado com o messias: ?Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi!? (Mc 11,9-10). Em seguida, podemos observar o mesmo povo dizer, referindo ao mesmo Jesus, que ?salva-se a ti mesmo, descendo da cruz? (Mc 15,30). O ministério público de Jesus inicialmente foi um sucesso. Ele era novidade em meio a um povo cujas expectativas messiânicas eram as mais diversas. Todos queriam um messias segundo o seu próprio imaginário (guerreiro, político). No entanto, quando o Cristo revela a dinâmica do seu reino, Ele experimenta o fracasso, a rejeição que irá desembocar na morte. Ele era bendito enquanto satisfazia os desejos apequenados do povo... Mas, quando propôs subverter a lógica humana contaminada pelo fechamento à lógica de Deus, Ele que salvasse a si mesmo. A Paixão de Cristo é um golpe mortal nessa inconstância do coração humano. Sim, o pecado tornou a humanidade incapaz da obediência da fé, de ser fiel radicalmente aos grandes ideais. O bem que deveria fazer, a vida que deveria abraçar, nem sempre é a escolhida. Mas o mal e a morte tornam-se a opção fundamental de muitos. Por isso, o Cristo, fiel ao projeto do Pai, mesmo sentindo que passaria pela morte, não deixou a sua vontade prevalecer, mas colocou-a em sintonia com a de Deus. Nesse sentido, a Paixão de Cristo torna-se inevitavelmente a paixão de todo cristão. Se queremos gozar a salvação ofertada por Ele na cruz, devemos trilhar o mesmo caminho. Assumir a nossa vida, colocá-la na vontade de Deus e deixar-se morrer para o nosso modo tacanho de compreender a realidade, paras os nossos questionamentos tolos, para os nossos sentimentos mesquinhos. Somente assim pode nascer em nós uma realidade nova. Não se pode ser cristão sem deixar-se morrer. Não pode experimentar as alegrias da ressurreição quem não se deixou crucificar. Para o coração humano, incoerente e inconstante, há salvação: a obediência de Cristo, que nos mostra que é possível viver nesse mundo na fidelidade ao projeto de Deus. E que, nesse projeto, está a verdadeira vida.

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