Opinião
A COR DA TRAI��O
Continuamos a viver o tempo quaresmal, nos preparando para reviver e meditar a caminhada de Jesus de Nazaré rumo ao Monte Calvário, onde, após passar por toda espécie de humilhação e sofrimento, iniciou o seu retorno espiritual e físico para o Pai, nosso Deus e Salvador. Tudo aconteceu por volta das três da tarde, quando Jesus, exaurido, estremece e, num estertor, diz com um fio de voz: Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. Por algum tempo Jesus viveu e conviveu com todos nós, pregando o amor e a certeza de uma vida eterna, e que Ele seria o caminho para chegar ao Pai. Pregou anunciando o reino de Deus, somente perceptível através da fé. Com seu carisma projetou-se por onde passava, tornando-se uma pessoa importante, culminando por abalar a estrutura político-administrativa daquela época. A partir dessa projeção, passou a ser alvo de críticas, sendo, então, amado e odiado. Lendo a coluna do Mons. Pedro Teixeira Cavalcante, intitulada Jesus Histórico, como de costume, ele afirma: ?A inveja, o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a falsidade e interesses secundários e malévolos são os motivos principais que nos levam ao descrédito à perseguição, à maledicência. Por outro lado, a humildade, a caridade, a compreensão, o desejo da verdade e a prudência nos fazem mais abertos, mais compreensivos, mais solidários.? Esses fatos são verdadeiros e continuam acontecendo no mundo de hoje, principalmente quando se galga um cargo ou uma função, pública ou privada, ou quando a pessoa consegue realizar alguma coisa ou emitir opinião sobre determinada matéria. Quando isso acontece, você é aplaudido e elogiado por uns, e vaiado e odiado por outros. Por muito pouco ? trinta moedas de prata ? a traição configurou-se na pessoa de Jesus, por volta das onze da noite, no Monte das Oliveiras, através de um beijo no rosto. Dizem os estudiosos no assunto, que o corpo humano é circundado por uma luz, esbranquiçada, como consequência de nossa bioenergia, também conhecida como aura material. Nosso corpo vivo possui vibrações advindas de nossos pensamentos, tendo como resultado a aura espiritual. Ora, qual seria a cor da aura espiritual de Judas, quando de sua morte voluntária, no Vale do Hinom? Naquele momento, o traidor agiu com remorso ao saber da sentença de morte de Jesus. Logo, sua ação contra a sua própria vida foi sem a luz da razão, que culminou nas trevas da morte.