Opinião
TIVE SORTE
Colégio Batista Alagoano, Colégio Estadual de Alagoas, Colégio Diocesano (hoje Marista). Ensino bom, de qualidade. Os melhores professores ensinavam lá. Gerações tiveram sua formação completa lá. Com tristeza, vi o fechamento do Colégio Estadual de Alagoas, do Colégio Batista, e não sei como vai o meu Marista. Quanto desperdício.Tive sorte. Meu avô paterno, simples e semianalfabeto, tinha a visão de que o homem sem estudo passaria mais dificuldade na vida. Isto nos anos 30. Trabalhando duro de capataz de engenho de cana, e depois como dono de em pequeno engenho, formou todos os filhos.Todos ganharam a vida mais fácil do que ele. Já peguei mais mole. Estudava em Maceió, e tinha professores particulares em Rio Largo onde eu morava. Professor José Carlos na matemática e professor Ferreira no Português. Não havia como não aprender. Ou se aprendia ou se aprendia. Por conveniência, e também para se ver um pouco livre do travesso João, me internaram no Colégio Batista Alagoano, e anos depois no Diocesano. Quando meu pai me disse que eu ia estudar interno, eu, com 11 anos, comecei a chorar. Prático, ele me disse: ?Filho, você só vai em março do próximo ano, deixe para chorar quando chegar mais próximo, lá para dezembro?. Lá, fui eu interno. Dormitório imenso, cama de um lado e do outro. Horário para tudo. Estranhei no início; depois me acostumei. Grande colégio o Batista, o meu CBA. Tenho viva a sua imagem, seu hino ?Para frente, esforço estudo, pela pátria tudo, tudo, a viver com paciência, embora mau a sorte seja, oh, CBA, em nossas almas viverá, oh, CBA, até a morte e além, oh, CBA, teu nome viverá...?. Do homem da disciplina, recordo a musiquinha que cantávamos às suas costas: Otaviano se eu fosse como tu, deixava essa mania de botar dedo no... Otaviano. Estadual da farda de caqui grosso. Parecíamos soldados. Quanto orgulho daquela farda quente, do nosso futebol, dos nossos professores. Éramos alunos do Colégio Estadual, e pronto. Do Diocesano interno, fugia para azarar na Praça Deodoro, e Rua do Comércio. O que eu quero dizer de fato é que o ensino hoje está muito diferente. Colégio público ruim.O professor está mais para amigo do aluno do que para professor. Não é assim que tem que ser. Professor tem que ser professor. Ensinar a matéria, ensinar a estudar, passar sua experiência de vida, mas não precisa ser amigo, sair para beber junto nem nada disso. Professores Edmilson Pontes, Petrônio Viana, Vinícius Maia Nobre, Mario Mafra, Carlos Pontes, Carlos Piatti, só para citar alguns, nunca misturaram as coisas. Devo a eles e a outros bons. Deram aulas de lealdade, honestidade, ética, decência. Tive sorte.