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Sexta-Feira da Paix�o e da reflex�o sobre a vida

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Temos hoje uma das datas mais emblemáticas para o Cristianismo: Sexta-Feira da Paixão. Momento de fé contrita, solene, no qual registra a prisão, julgamento, suplício, crucificação, morte e sepultamento de Jesus Cristo. A definição da data, baseada nos costumes ancestrais herdados da religiosidade judaica, é contada retroativamente a partir do Domingo de Páscoa, marco supremo da ressurreição do Messias. Comprova a antiguidade da data a própria flutuação do dia santificado, dotado de mobilidade destacada dentre a rigidez dos calendários definidos como referências universais desde os tempos do poder romano. O dia certo, a cada ano, é definido como sendo a primeira sexta-feira depois da primeira lua cheia após o equinócio do outono (no hemisfério sul, posto ao norte ser o equinócio da primavera). Resumo da ópera: este dia pode acontecer entre 20 de março a 23 de abril. Trata-se, portanto, de uma incontornável reafirmação de milenares vínculos sociais traduzidos como referências religiosas de tamanha força que ultrapassa as próprias crenças, impondo-se aos calendários civis, convertendo-se em feriados para boa parte dos países de tradição católica, alcançando, assim, praticamente todas as demais opções de credo. No Brasil tem força singular, sendo um momento respeitado em todo o território nacional, devidamente incorporado às datas comemorativas mais fortes. Ao longo dos anos, a Sexta-Feira Santa foi se impondo aos costumes nacionais e o consumo de frutos do mar, nesta data, passou a ser um traço cultural forte, mormente praticado por grande número de não-cristãos. A encenação da Paixão de Cristo, ocupando ruas de incontáveis cidades brasileiras também se consolidou como característica nacional, chegando a criar uma cidade cenográfica: Nova Jerusalém, em Pernambuco. Não estamos diante de um simples ?feriadão?, mas frente a um momento de grande força popular, capaz de extrapolar os próprios limites religiosos e de estimular reflexões sobre os valores éticos e sociais. Não deve ser desperdiçado, portanto.

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