Opinião
Vistos menos rigorosos, perspectivas generosas
Pode ser considerado, sem sombra de dúvida, um sinal dos novos tempos a redução da estreiteza na liberação de vistos a brasileiros pela representação dos Estados Unidos no Brasil. No balanço divulgado há três dias, comparando-se os resultados de março de 2012 com igual mês do ano passado, cresceu 62% o número de vistos concedidos a brasileiros que desejam viajar aos Estados Unidos. Em média, foram acesos os sinais verdes para 5.489 brasileiros por dia, ao longo do mês passado, nas representações diplomáticas americanas no Brasil. A maioria dos ?Yes? foi registrada no consulado localizado em São Paulo, onde 55.477 passaportes tiveram a cédula do visto colada em suas páginas verde-amarelas. Rio de Janeiro (34.379), Brasília (15.892) e Recife (9.521) vieram em seguida. A medida comprova o cumprimento de compromisso assumido pelo presidente americano durante sua visita ao Brasil. Barack Obama expressou, em mais de uma ocasião, sua ideia de aliviar os nós que asfixiavam o trânsito de brasileiros rumo aos Estados Unidos. Os mais apressados, dentre nós, chegaram a especular com um improvável fim do próprio visto; os pessimistas de sempre desacreditaram na palavra do sorridente ocupante da Casa Branca. E que novos tempos seriam esses sinalizados pelo gesto do presidente americano? Em primeiro lugar, trata-se de uma reafirmação do novo papel desempenhado pelo Brasil no cenário internacional. Destaque-se que essa abordagem mais generosa e ampla aos brasileiros também foi estendida aos chineses, refletindo uma estratégia de ampliação do prestígio de dois dos principais parceiros dos americanos. Este é o aspecto mais importante dessa abertura americana. Não diminuirão os problemas dos tupiniquins que se pretendem ?cucarachas?, nem afrouxarão as regras para a contumaz ?sacolagem?. As principais vantagens decepcionarão os interesses imediatos de menor alcance, mas, inegavelmente, possibilita ao Brasil uma chance de ampliar laços estratégicos e negócios com o grande irmão do Norte.