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Nº 5749
Opinião

A trincheira

GILBERTO DE MACEDO * Trincheira humana! Reduto de valores que definem um ser humano, que permite e assegura a condição humana. É, desse modo, o conjunto de atributos que, no plano do universo, identifica a pessoa humana diante da Natureza, dos outros

Por | Edição do dia 09/10/2002 - Matéria atualizada em 09/10/2002 às 00h00

GILBERTO DE MACEDO * Trincheira humana! Reduto de valores que definem um ser humano, que permite e assegura a condição humana. É, desse modo, o conjunto de atributos que, no plano do universo, identifica a pessoa humana diante da Natureza, dos outros seres vivos e, sobretudo, das coisas e objetos materiais, que estão no mundo. O Homem não apenas está, mas é ser, no Mundo. Existe enquanto ser, ou seria o nada, como ensina o grande filósofo Jean Paul Sartre. Afastar o Homem dessa situação é negá-lo. Chama-se isso a alienação. Uma contradição ontológica – na linguagem dos filósofos. Vive-se em permanente estado de sítio! Por todos os lados, as afrontas da sociedade sobre a pessoa humana, ameaçando a sua sobrevivência como tal. Ações nocivas, materiais e simbólicas, ameaçam o ser humano: injustiça, desemprego, desintegração familiar, doenças de toda índole, violência, des-educação e assim por diante. É produto do capitalismo selvagem, (no sentido primitivo desta palavra), o qual estabelece o conflito alienação social, autenticidade humana. Estado de sítio diante da hostilidade social, que fere o homem comum, por todos os lados, e incessantemente. Assim, essa trincheira significa auto-preservação. Para assegurar a própria identidade pessoal. E, ao mesmo tempo, conservar a sua condição de ser humano e ser social. A humanização e a socialização. De pertencer à espécie homo-sapiens: a hominização, e de mundo da sociedade: a sociabilidade. Se não é socializado é selvagem. A trincheira é, assim, o anteparo do Homem, o envoltório que o protege da alienação social da sociedade tecnocrática, de maneira que todo indivíduo mantenha a sua autenticidade de pessoa, da personalidade do cidadão. Quer dizer que, através da percepção dos próprios valores assimilados, desenvolva a consciência do seu destino e do seu papel na sociedade. E, dessa maneira, assuma uma atitude que o leve a se comportar como cidadão, afirmando-se e resistindo contra os desvios dos sistemas que, por ventura, governem a sociedade. Direitos e deveres do cidadão! Daí as dimensões da trincheira: biológica, psicológica, ideológica, espiritual. Essa trincheira não é, pois, esconderijo, local de esquivança, de fuga, de afastamento, de insociabilidade, de incomunicabilidade, de autismo patológico, senão, ao contrário, fonte de ação participativa, autêntica e crítica, na vida social. Um espaço de luta cívica contra os falsos princípios de uma sociedade alienante, ela própria estabelecida contra os direitos humanos. Não é um esconderijo. Mas, o contrário. Exposição! Participação! Assim, dela pode-se dizer: Trincheira do Homem! Trincheira da Liberdade! Lutemos, todos, através dela. (*) MÉDICO

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