Opinião
Aluguel de armas: sinal do crime organizado
Em notícia divulgada em primeira mão pelo portal Gazetaweb há uma semana, no dia 3 de abril, percebe-se o quão enraizado e diversificado está o crime organizado em nosso Estado. A reportagem informa que um adolescente, de 14 anos, teria alugado uma arma de fogo como o fito de assassinar um desafeto. E, de fato, atirou contra seu oponente, mais conhecido como ?Bocão?, sendo preso logo em seguida. À polícia, o menor infrator confessou ser autor do disparo e declarou ter alugado a arma de fogo por ?apenas uma hora?. Para garantir o bom resultado das investigações, a autoridade policial não divulgou o nome nem a localização da locadora de armas, mas, pelo prazo do aluguel (60 minutos) é presumível estar situada na própria comunidade onde foi perpetrada a tentativa de homicídio, ou seja, o Sítio Recreio, no Trapiche da Barra. Qual a preocupação decorrente deste fato? Exatamente ser mais uma comprovação da capacidade de espalhamento do crime organizado em Maceió. A locação de armas é uma característica da capilaridade organizativa criminosa, inicialmente verificada nos morros cariocas, onde o poder do tráfico expandiu-se para além das drogas propriamente ditas, banalizando delitos outros e estabelecendo redes entre os crimes mais distintos. A locação de armas passou a ser um empreendimento comum nas áreas sob o comando das facções de traficantes, funcionando como negócio lucrativo para os donos de arsenais e como forma de apoderamento de parte do apurado nas ações de outros grupos. A notícia do funcionamento, em Maceió, de um ponto de locação de armas passa a ser mais um indício da força do crime organizado na capital alagoana. As investigações dirão se o episódio do Sítio Recreio teria sido uma experiência isolada (um ?empreendedor individualizado? atuando por conta própria) ou se, como se pode suspeitar, as locadoras de armas nos chegaram como mais um tentáculo do crime organizado, acompanhado o ululante processo de fortalecimento do tráfico em nosso Estado.