Opinião
Brasil e Estados Unidos: a reaproxima��o
Não é de hoje que o Brasil se desencontra com seu primo rico do Norte, os Estados Unidos. Ainda nos tempos do regime militar, não se encontraram o Planalto e a Casa Branca no item programa nuclear e, recentemente, as lideranças políticas americanas julgaram o governo brasileiro independente além da conta com a ousadia de Lula em opinar nas questões do Oriente Médio. A autonomia brasileira em relação ao Irã foi outro machucão nos laços entre ianques e tupiniquins. Mas a vida segue. A visita de Dilma aos Estados Unidos tem o fito de amainar malquerenças, reduzindo as distâncias entre Washington e Brasília. Um gesto necessário. Historicamente próximos, Brasil e Estados Unidos são aliados naturais, têm mais semelhanças que discrepâncias entre seus povos e economias. Estreitamento, entendimentos e ampliação dos compromissos entre os dois países são essenciais, pois podem se completar em mais de um segmento estratégico. Diferenças existem, não resta dúvida, e não há porque negá-las. Mas é estupidez permitir que as diferenças transformem-se em fossos intransponíveis. Construir pontes é a missão dos governantes e especialmente os menos fortes devem se esmerar em não se deixar levar pela força superior, nem lhe sendo súdito nem se permitindo a bravata. Dilma Rousseff, acertadamente, está a recompor pontes e a construir novas vias com os Estados Unidos. Uma das vertentes mais merecedoras de apoio é a ampliação dos convênios entre instituições de ensino, em benefício do Programa Ciência sem Fronteiras, cuja meta é enviar 100 mil bolsistas brasileiros para estudos no exterior. Nesse sentido, a presidente do Brasil agendou duas visitas essenciais: Universidade de Harvard e Massachusetts Institute of Technology (MIT). Educação é um dos campos onde não se pode permitir distanciamentos dos Estados Unidos. O comércio é outro caminho que não comporta porteiras fechadas, para o bem dos dois países. Em fase de crescimento, o Brasil tem de buscar alianças internacionais que fortaleçam esse caminho, sem subserviências, sem fanfarronices.