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O calv�rio alagoano e a Semana Santa

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Mais um dado reafirma o descalabro da insegurança pública em Alagoas: durante o feriado prolongado da Semana Santa foram assassinadas 34 pessoas no Estado, segundo os dados oficiais fornecidos pelos institutos de medicina legal de Maceió e de Arapiraca. Uma média de 8,5 homicídios por dia. O que este número significa na realidade brasileira e mundial? Num primeiro momento não é fácil responder a esta pergunta com segurança, pois esses dados não estão disponíveis para consulta. Talvez alhures a imprensa não tenha tanto rigor na apuração sistemática dessas ocorrências, daí a carência de informações sobre o tema. Os otimistas, frente a essa dificuldade de comparação imediata, suporão que fora dos limites alagoanos a coisa é de horror semelhante ou, quiçá, pior. Os pessimistas considerarão essa debilidade comparativa a evidência de que a realidade alagoana é tão dantesca que uma manipuladora mão invisível está a ocultar os dados bem menos dramáticos de outras plagas. Mas cá entre nós: será necessária mesmo alguma comparação numérica para se perceber a tragédia que se abate sobre a população alagoana? 8,5 homicídios por dia, durante um período de festejos religiosos, é um número assustador aqui e na China (com seus bilhões de viventes). Esta é a realidade alagoana. Silenciar frente a isto é um desserviço à cidadania, numa contribuição para o aprofundamento dessa tragédia, pois a banalização do crime é um dos principais estímulos à sua multiplicação. Pronunciar-se sobre essa desgraça transformando-a em bandeira de corporações policiais em luta por mais algum ganho material é, igualmente, uma demonstração de descompromisso para com a população sofredora. Mais uma vez, o chamamento é no sentido de que as autoridades governamentais reajam à altura, abandonando a insidiosa tática de buscar justificativas para o injustificável. Não se pode reduzir a dramaticidade, amainar a dor da população alagoana. Alagoas é um Estado exposto, imobilizado, absolutamente vulnerável, frente ao crime. Quando isto vai mudar?

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