Opinião
NA VARANDA DE IPIOCA
Lembra meu afilhado e decano da microfonia alagoana e, porque não dizer, gazeteana, Waldemir Rodrigues, que, em 1973, a diretoria executiva do CSA, de tão pequena, fazia suas reuniões dentro do meu Fusca. Floriano Ivo Junior (nosso saudoso secretário-perpétuo), Aurélio Lages Filho (diretor de futebol e finanças) e este escriba. Mas, mesmo pequeno, ainda tinha um lugar no Fusca verde-musgo. Estava eu na lanchonete do térreo do Estádio Rei Pelé, intervalo de uma das partidas da melhor de três para conhecer o campeão de 1971, quando recebo os cumprimentos de Arnoldo Petrúcio Chagas e sua disposição em colaborar com seu clube do coração. Não titubeei. Estava completa a lotação do Fusca e, para meu gáudio, com um dos maiores conhecedores do futebol alagoano. Assumiu a direção de futebol acumulada até então por Aurélio. Recém-egresso do rádio, elogiado pela elegância na narração esportiva, ?voz possante, relato preciso, sensação a cada lance? no dizer de Márcio Canuto, estava militando na área de consórcio para automóveis com sua Vulcão Promoções, estabelecida na rua Boa Vista, próximo à Casa de Saúde Neves Pinto e ao Jornal de Alagoas. Aquele endereço passou a ser uma espécie de quartel azulino nos dias úteis. Ali foram tomadas inúmeras e importantes decisões. Nascia, na convivência, uma amizade que me fez conhecer melhor os meandros do nosso esporte. A nossa gestão no CSA muito ficou devendo a Arnoldo. Sua experiência também foi aproveitada, logo em seguida, por Fernando Collor, assumindo a vice-presidência de futebol. Dirigir futebol levava-nos a ocupar todo o tempo em seu proveito. Não tinha domingo, nem feriado, nem dia santo. E, se folga tínhamos, seu recanto em Ipioca era nosso refúgio. À beira mar, num espaço entre a casa e o muro frontal, Arnoldinho, Arnolmar, Dedé (José Maurício) e Ibinho desfrutavam de uma bela pelada. Da varanda, Arnoldo e eu assistíamos tomando umas cervejinhas, o que não impedia de, quando em vez, batermos uma bolinha. Depois de afastar-me do futebol, perdemos o contato. E seguiu Arnoldo: advogado, promotor, procurador de Justiça, compositor e cantor (com disco gravado), poeta, escritor (livro O Agente Francês). Nossa Livraria é uma ficção onde se identificam figuras de nosso meio esportivo em suas personagens. Mas a saudade do rádio ficou arraigado nele. Criando o site Varanda de Ipioca, instalou a radioweb de mesmo nome, proporcionando belas audições de grandes artistas. Ficou a amizade que me fez sentir sua inesperada partida e a certeza de que estará sempre em sua varanda vislumbrando o belo mar de Ipioca.