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Opinião

A CRIAN�A NO �TERO MATERNO E SAUDADES DA DOUTORA ESTELA

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Fascinantes pesquisas sobre a vida intrauterina já permitem supor que os estímulos auditivos pré-natais representam um grande elo afetivo no relacionamento mãe-filho. Tem impressionado os estudiosos a analogia existente entre um embrião e um astronauta. Ambos ficam encerrados num conjunto de invólucros hermeticamente fechados, dentro de uma cápsula, flutuando: o líquido amniótico na criança e o oxigênio pressurizado no astronauta. Na ?cabine? de pilotagem, que é o útero materno, está o embrião, sentindo a cada mês o crescimento de seu corpo. Com 26 dias já tem seus bracinhos e 28 dias suas pernas. Com três semanas o embrião já tem forma bem definida. Aos três meses seu corpinho está todo constituído, seus órgãos todos formados. A fase da formação da criança é importantíssima para que ela seja saudável ao nascer. Assim, fumo, álcool, estresse e convivência com muita aglomeração devem ser evitados de toda sorte nessa fase embrionária, isto é, em que a criança está sendo formada. A criança com 5, 6 e 7 meses de vida intrauterina ouve muito bem a voz de sua mãe, o que lhe dá um prazer enorme. No 8º e no 9º mês, nem se fala. Falando em criança no útero materno, com profunda tristeza soube do falecimento de minha inesquecível colega Estela Malheiros no último dia cinco de março. É necessário recuar-se no tempo para dizer às novas gerações de médicos quem foi essa admirável médica que dedicou toda a sua vida em tempo integral ao exercício da Medicina com notável amor. Ao lado de nossa grande colega e dedicadíssima médica Eleuza Passos Tenório e dos médicos anestesistas Jorge Guimarães e Elizabeth de Medeiros Maia, Estela fez da Casa de Saúde Paulo Neto o seu mundo, e através de suas mãos milhares de crianças chegaram ao planeta Terra. Foi um exemplo singular de notável abnegação pela profissão médica. Hoje descansa no seio da terra. Ficará sempre lembrada por todos aqueles que ela concorreu para a chegada nesta terra alagoana. Ela plantou em sua caminhada terrena, entre as pedras do caminho, sementes de amor que germinaram e cresceram. Estela jamais será esquecida. Que ela descanse na paz do Senhor! A Academia Alagoana de Medicina lamenta profundamente essa perda inesquecível.

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