Opinião
Quando o desrespeito � Lei passa a ser lei?
Não é de hoje que a imagem do parlamento padece de degastes. No caso específico de Alagoas, a Assembleia Legislativa tem amargado momentos muito difíceis, sendo o maior deles, explodido há anos, a chamada ?operação taturana?. Mais bombástica de todas, entretanto, segue sendo a ocorrência de há 55 anos, quando, em setembro de 1957, numa sexta-feira, dia 13, o mundo desabou no plenário da Casa Tavares Bastos sob a forma de uma portentosa saraivada de balas, no tiroteio famoso que deixou um morto, vários feridos e uma mácula indelével na alma parlamentar alagoana. Uma coisa, porém, deve-se reconhecer: foram momentos de enorme tensão e onde se chocaram grandes interesses (ou grandes valores, como queiram). O volume não é critério ético, porém explica as explosões de tamanhos correspondentes. Outra coisa, porém, têm sido as exacerbações acerca de acontecimentos mesquinhos, onde o silêncio deveria ser a opção mais lógica, como menos ruinosa, até como forma de evitar maiores vergonhas para o Poder Legislativo alagoano. Infelizmente, entretanto, nem tal cuidado tem sido observado e o ?bocão? escancara-se em falas e gestos despropositados cujos resultados puxam para mais baixo, para mais fundo, a imagem daquele poder. Vejamos o caso do veículo flagrado pela autoridade policial em situação irregular. A deputada responsável pelo automóvel, ao invés de dar o exemplo do respeito à Lei e aos servidores públicos que arriscam suas vidas (sob parcos salários) na labuta do policiamento, insurge-se contra a ?blasfêmia? de ser tratada como cidadã. E não só lança mão, incorretamente, do estamento elitista dos ?gabinetes militares?, como, insatisfeita por ter jogado PMs contra PMs, ocupa os microfones da casa para investir contra quem estava labutando em defesa do cumprimento da legislação e teria se recusado a tratar uma cidadã de forma diferenciada e superior à Lei e aos demais cidadãos. Ora, senhoras e senhores parlamentares, desgastes como esse não poderiam ser poupados ao Legislativo alagoano?