Opinião
Por uma CPI contra a cascata de CPIs
Mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito está instalada. Desta vez estão em jogo as ligações perigosas ligadas, inicialmente, à jogatina e que, posteriormente, teria se espalhado para outras áreas. Carlinhos Cachoeira é o nome da vez. Não é personagem desconhecido do Congresso, pois lá já esteve oficialmente convocado para prestar esclarecimentos sobre supostas estruturas clandestinas de jogo no País. Hoje detido no presídio da Papuda, em Brasília, a voz desse cidadão, recolhida em gravações devidamente autorizadas pela Justiça, já fez trincar a reputação de um dos senadores mais apreciados pelo entourage oposicionista, o goiano Demóstenes Torres. Mas muitos outros personagens estão na linha de tiro da metralhadora giratória representada pelas gravações dos telefones do acusado de ser um capo di tutti i capi da jogatina nacional. Como seria de se esperar, a instalação da CPI foi cercada de celeuma. Enfim, mista, integrada pelas duas casas, Câmara e Senado, deu-se a largada ontem. Também ontem já haviam sido indicados 18 dos 32 nomes de deputados e senadores para a CPI. Algumas das maiores referências da política nacional estão confirmadas na escalação, reafirmando a importância que o Congresso e os partidos estão dando às investigações sobre esse tema. Além de investigar sobre um dos problemas mais graves do Brasil, a teia de corrupção imbrincada com a rede do crime organizado, essa Comissão Parlamentar de Inquérito tem a missão suplementar, e de grande valor, de recuperar o prestígio da CPI enquanto instrumento de democracia. Nos últimos tempos, esse instituto parlamentar tem sido desgastado graças ao açodamento de lideranças mais interessadas no brilho fugaz dos holofotes midiáticos, além de mais das vezes caírem na tentação do uso dessas comissões como mera arma de ataque contra adversários. O resultado pífio de seguidas CPIs, infelizmente, tem arranhado essa instituição. As oportunidades, neste momento, são duplas: esclarecer as ligações entre criminosos e corruptos e restaurar o prestígio da CPI como instrumento democrático.