Opinião
BENTO XVI: F� E CONTINUIDADE
No último dia 19 deste mês, o papa Bento XVI entrou no seu oitavo ano de pontificado. Dentre as marcas deste papado, pode-se destacar a insistência do Santo Padre em recordar incansavelmente o que é ser cristão. O cristianismo é, antes de tudo, um encontro com Cristo, um deixar-se alcançar por sua verdade salvadora. Somente apaixonando-se por Jesus, na hermenêutica de Bento XVI, os cristãos podem apresentar ao mundo novamente a moral, o jeito de ser da fé cristã. Nesse sentido, o Sumo Pontífice não cansa de deixar claro que o cristianismo não é um puro e simples sistema de valores ? justiça, paz, amor. A religião de Jesus não é um sistema ideológico, mas um modo de ver a vida imbuída do amor encontrado e experimentado Nele. Outra característica da era Bento XVI é o seu modo de compreender a Igreja em continuidade com o passado. Para entender isso, é preciso recordar os dias que se seguiram ao último concílio ? reunião de todos os bispos ? da Igreja, o Vaticano II, encerrado em 1965. Naqueles idos, a euforia e também as más intenções de alguns falavam em ?espírito do concílio?. E, em nome deste, apregoavam na prática: a Igreja nascera ali. Os outros quase dois mil anos de história da Igreja eram vistos, erroneamente, como um conjunto de coisas que precisavam ser melhoradas ou descartadas. Não é à toa que até hoje, nos meios eclesiásticos, é comum ouvir: ?a Igreja do concílio?; a ?visão pós-conciliar?. Nesse contexto, Bento XVI insiste em deixar claro que o único espírito presente no último concílio da Igreja é o Espírito Santo. Espírito este que orientou os bispos a colocarem por escrito, nos documentos, o que eles refletiram e decidiram. É a presença desse Espírito Santo que garante e também não anula os que os outros vinte concílios já ocorridos determinaram. É também, no rescaldo de um concílio ainda claudicante na sua legítima compreensão e aplicação, que o Santo Padre também insiste em ver a Igreja de hoje em conexão com o seu passado, lançando-se para o futuro. É isso que Ele mesmo chama da hermenêutica da continuidade. A Igreja é fruto dos seus vinte e um concílios ecumênicos e deve entender-se assim. Pelo contrário, corre o risco de esquecer-se de sua identidade. Que o Senhor abençoe e conceda ao papa Bento XVI muitos anos à frente da Sé de Pedro!