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Nº 5750
Opinião

Incompet�ncia p�blica

LUIZ FERREIRA DA SILVA * Uma das paisagens mais bonitas do Nordeste é o complexo lagunar de Alagoas, sobretudo da capital, Maceió, de influência marinha, não só pela beleza cênica, como pela riqueza e diversidade biológica. A orla marítima, caracterizada

Por | Edição do dia 10/10/2002 - Matéria atualizada em 10/10/2002 às 00h00

LUIZ FERREIRA DA SILVA * Uma das paisagens mais bonitas do Nordeste é o complexo lagunar de Alagoas, sobretudo da capital, Maceió, de influência marinha, não só pela beleza cênica, como pela riqueza e diversidade biológica. A orla marítima, caracterizada pela cor esverdeada de suas águas e presença de arrecifes, constitui-se num atrativo turístico ímpar, cuja conservação é deficiente, já existindo diversos pontos poluídos pelas descargas dos esgotos urbanos, atestando a insensibilidade e incompetência do poder público, preocupado mais com medidas paliativas. Os rios, transformados em canais de escoamento de esgotos, que cortam a cidade, estão todos poluídos, culminando com a degradação ambiental das praias, constituindo-se focos permanentes de endemias, quando Maceió possui condições climáticas saudáveis. Os problemas das lagoas se resumem no assoreamento e na descarga de dejetos (urbanos e industriais), que são efeitos, cujas causas são o desmatamento dos divisores de água contíguos ao espelho d’água, a eliminação da vegetação ciliar e das vertentes dos grandes rios, acarretando modificações no perfil de equilíbrio do manancial hídrico, com diversas conseqüências ambientais (físicas e biológicas) e poluição advinda do lixo, dos esgotos e dos resíduos industriais. Tudo isso vem acarretando graves problemas econômicos, sociais, ambientais e culturais. Dessa forma, há muito que se fazer e tudo é urgente! Até então, não há um programa abrangente de revitalização desse importante ecossistema hídrico, mas medidas isoladas e até demagógicas, sobretudo nos períodos eleitorais. Para tanto, é preciso se raciocinar em termos de um todo e não particularizar ações para resolver determinado problema de um riacho ou de uma seção lagunar. Mas, que se visualize a bacia hidrográfica como uma unidade de planejamento, seja nos seus aspectos físicos, hídricos, humanos e ocupação antrópica. Isso significa um elenco de ações voltadas aos rios contributos das microbacias; qualidade da água; esgotamento sanitário; conservação do solo; replantação florestal e educação ambiental. Não adianta, por exemplo, limpar a foz do salgadinho, se medidas integradas no seu nascedouro e trajeto, não forem implementadas. Também, pelo mesmo raciocínio, de nada vale desassoreamento de partes das lagoas, se os fatores erosivos das bacias de captação hídrica não forem contidos. É, simplesmente, uma questão lógica e de natureza técnica. Não se está inventando nada, absolutamente! Assim posto, algumas ações, a seguir discriminadas, em sistemas integrados, deveriam ser implantadas, dentre outras: - Levantamento das bacias hidrográficas, utilizando imagens de satélites, mosaicos de radar e fotografias aéreas, na escala 1: 10.000, contemplando a rede hídrica, os tipos de solo, as vertentes de captação de água, as áreas degradadas, o uso agrícola e o relevo. Esse estudo é fundamental, em diversos aspectos, dentre os quais: (a) mapeamento e a caracterização dos diversos pedológicos – morfologia, propriedades físicas e químicas e atributos ligados às práticas de manejo – visando selecionar as culturas consentâneas à natureza do solo e definir as ações conservacionistas, de modo a conter a erosão e a compactação dos terrenos, evitando o assoreamento dos recursos hídricos, por um lado, e a perda da água de infiltração, fundamental à recarga dos aqüíferos; (b) tipificação dos relevos, com vistas a se programar o reflorestamento dos topos e terços superiores, bem como as medidas de conservação edáfica; (c) seleção das espécies florestais adequadas aos solos aluviais, com ênfase no seu crescimento rápido e desenvolvimento do sistema radicular. Essa ocupação espacial dos solos das bacias, racionalizando o uso agrícola, de maneira diversificada e conservacionista, é muito importante por dois motivos; possibilitar uma outra opção de emprego e renda para a população rural ribeirinha, não se limitando aos frutos dos mananciais hídricos, como acontece presentemente; e contribuir para a manutenção do sistema hidrológico, ao se conter os fatores erosivos da paisagem geomorfológica. Por outro lado, a seleção dos cultivos a ser implantada nas áreas de influência das bacias hidrográficas, embasadas nos estudos pedológicos, é muito importante, devendo priorizar os produtos que não requerem muita movimentação do solo (uso de máquinas e implementos pesados), para evitar distrurbação dos terrenos, bem como não ser demandadores de elevadas doses de fertilizantes e, sobretudo, de uso contínuo de pesticidas, fatores de contaminação dos mananciais hídricos. E, nesse particular, é fácil entender que a cana-de-açúcar não é a opção desejável; - Programa de replantação das cabeceiras de erosão e das margens fluviais, utilizando espécies do ecossistema, identificando as de crescimento rápido, como explicitado anteriormente, em sistemas de plantio misto (várias espécies) e de alta densidade, assemelhando a uma mata original; (*) ENG. AGRÔNOMO E-MAIL: [email protected].

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