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O mundo de olho na Fran�a

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Como em todas as eleições nas demais grandes economias mundiais, o resultado das urnas na França interessa a todo o mundo. Especialmente num momento como este, onde o espectro da crise teima em assombrar a Europa e, em consequência, o resto do planeta. Está em jogo, pelo voto francês, ajustes que podem mudar rumos no enfrentamento da crise. Mudanças radicais não devem ser esperadas, embora possam ter sido usados discursos incendiários nos comícios do primeiro turno. O que está em jogo é o ?pensamento único? para a crise, onde todos os esforços concentram-se em salvaguardar os lucros do sistema financeiro europeu. Esse caminho, expresso numa política monolítica multinacional, é nucleado pela Alemanha, a mais forte das economias contemporâneas no Velho Mundo. E a tradicional França é a sua principal aliada nessa cruzada. O resultado do segundo turno pode modificar essa relação, fazendo com que Paris adote alguma nova rota, senão em divergência ostensiva, pelo menos em distintas opções às férreas orientações de Berlim. François Hollande é o nome da vez, tendo saído vitorioso do primeiro turno. Sua vantagem para o segundo turno, porém, não é automática. Nicolas Sarkozy não está na lona e tem grandes chances de determinar para o segundo turno condições especiais para o confronto, podendo reverter a tendência das urnas. Quem duvidar disso não prestou atenção aos 18% de sufrágios concedidos à extrema-direita, conferidos à candidatura de Marine Le Pen. Charles de Gaulle já teria dito que ?o francês tem o coração à esquerda e a carteira de dinheiro à direita?. Americanos menos poéticos já teriam dito, sobre o determinante para a modificação das tendências eleitorais: ?é a economia, idiota!?. A campanha de Hollande surfa bem nas ondas negativas da economia europeia. Ilusão terá quem imaginar que ele, uma vez no comando da França, venha a romper com a Alemanha ou subverter a ordem econômica vigente ao negar socorro ao sistema bancário mundial. Quem sabe sua vitória possa apresentar alguma novidade nas políticas de enfrentamento da crise.

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