Opinião
Juros baixos: para qu�, para quem?
Em se considerando a recorrente batalha contra os elevados juros cobrados no Brasil, a redução das taxas cobradas pelos (grandes) bancos oficiais foi a melhor opção para refrear a impetuosidade usurária do sistema bancário brasileiro. Esta baixa, vanguardeada pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, causará indiscutível impacto de mercado e (se bem administrada em sua prática) melhor efeito que as próprias reduções do spread determinadas pelo Banco Central. Como todo fetiche, a taxa 0,99% parece ter um enorme poder de atração para o público e, se corretamente ofertada, poderá (como outros percentuais reduzidos) causar expressivo incremento à economia. A principal questão dos juros, porém, transcende seu próprio valor nominal. Questão basilar em relação ao spread e demais emolumentos financeiros é a possibilidade de orientação da oferta de juro mais baixo para segmentos essenciais. Por sua vez, essa essencialidade deve ser determinada em função das metas, dos objetivos centrais, das políticas públicas de desenvolvimento, distribuição de renda e incentivo ao crescimento produtivo e sustentável. Sem essa orientação, o mercado é soberano e tem suas próprias soluções. Assim, aplaudindo a redução dos juros cobrados pelo BB e pela Caixa, simultaneamente, devemos inquirir às autoridades monetárias: para quais áreas serão destinadas as mais significativas reduções do juro? Consumo em geral ou direcionado? Direcionado para quais nichos? Não basta provocar o consumismo. Comprar, somente, não é solução para as grandes demandas da economia. Num primeiro momento, adquirir algo da enxurrada de produtos produzidos na China aquece o comércio, gera emprego, distribui renda. Mas não gera renda, não cria riqueza. Que tipo de crédito precisa ficar mais barato no Brasil? Imobiliário, particularmente voltado aos públicos C e D? Financiamento para aquisição de bens de capital, estimulando o empreendedorismo fabril? Definir esses rumos antes de trombetear ?juros a 0,99!? é o ideal. Ainda temos tempo para isso.