Opinião
LUIZ ERNESTO FOI, ANTES DE TUDO, UM FORTE
Não consegui encontrar expressão melhor para qualificar o meu irmão, que perdi no último dia 22, do que aquela que Euclides da Cunha utilizou para descrever o sertanejo no seu imortal Os Sertões. Nascido em 29 de maio de 1942, sua vida foi entremeada pela coragem de lutar, na ansiedade de inovar enquanto a dor física tentava abatê-lo. Mas a dor não impediu que fosse realizando notáveis feitos ao longo da vida. Formado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Pernambuco em 1963, adquiriu a prática de sua atividade comandando a operação da então obsoleta Usina Santo Antônio, que ele transformou na segunda maior unidade agroindustrial do Nordeste. Neste périplo de mais de 40 anos, foram surgindo os projetos de modernização, com muitos equipamentos por ele projetados e patenteados. Trinta anos depois de diplomado, o agora maduro engenheiro havia conquistado mundialmente o respeito de seus pares, técnicos sucroalcooleiros. Brasileiros, indianos, australianos e sul-africanos foram seus companheiros e interlocutores. Não posso deixar de referir que, em pleno regime militar, foi convidado para proferir uma palestra em Cuba, para onde viajou depois de muitas negociações com as autoridades de Brasília. Enquanto construía, plantava as sementes de sua inquietude técnica, deixando um grupo de discípulos que estão se revelando capazes de continuar e até expandir a sua sede pela inovação. Seus alunos, comandados por Meroveu Costa Júnior, desenvolveram revolucionário sistema de clarificação do caldo da cana, aperfeiçoando, de maneira impressionante, tudo o que nos últimos 100 anos foi realizado na matéria. Tal sistema foi integralmente desenvolvido na Usina Santo Antônio com o entusiástico apoio de Luiz Ernesto. Mas vou sair das suas notáveis realizações para falar do homem, um companheiro fraterno por 70 anos. Ainda estudante, Luiz Ernesto se apaixonou por Cristina, então destacada estudante de Química. Da união, nasceram Letícia, Luiz Filho e Maria Tereza e, na sequência natural da vida, os netos Léo, Malu, Cristiana e Isadora. Foi sempre pai de família exemplar, dedicando aos seus amor, carinho e cuidados. Quando foi acometido dos males que o fragilizaram até a morte, numa luta de mais de 20 anos, seus familiares retribuíram o carinho e os cuidados, numa relação recíproca de aconchego humano. Após luta tenaz e heroica, na qual nunca desanimou, Luiz Ernesto foi vencido, dada a sua condição de ser humano, e, portanto, finito.