Opinião
A AMBI��O
Na exaustiva competição da vida, as pessoas têm passado por grandes transformações e talvez até nem percebam que estão ficando muito mais amantes de si mesmas, egoístas, ambiciosas. E sentimentos tão essenciais vão ficando fora de moda; o amor, aquele amor sincero, olhos nos olhos, coração palpitante. Sinceridade bem ao estilo antigo quando existiam verdadeiramente fidelidade, respeito mútuo; amizade, aquela amizade que compartilha, é solidária onde um se interessa pelo bem-estar do amigo e vice-versa. E a família, talvez venha a ser a instituição que mais se deteriora nesses tempos tecnológicos, exposta às inúmeras agressões que o mundo impõe. Será que as pessoas estariam menos felizes, ansiosas demais, devastadoras, capazes de qualquer coisa para conquistar os seus objetivos ou a ambição é simplesmente uma virtude própria de quem quer obter sucesso na vida? Numa discussão em um workshop com a participação de um grupo de executivos liderados pelo professor Eugênio Massak, especialista em filosofia humana, muitas conclusões foram tiradas com relação ao tema e algumas bem esclarecedoras. A primeira foi que sem ambição o ser humano ainda estaria morando no mundo das cavernas. A criatividade e o trabalho são instrumentos a serviço da ambição humana, e, como tal, podem ser usados para o bem ou para o mal. A segunda conclusão foi de que assim como a intensidade da ambição varia entre as pessoas, varia também o tipo. É muito comum atribuir ao ambicioso o forte desejo de ganhar dinheiro, embora não exista nada de errado nisso, mas foi partindo dessa visão limitada que surgiu a dúvida se a ambição é ou não uma qualidade. Vejo a ambição como um sentimento que expressa a vontade de crescer, evoluir na vida em todos os campos da atividade humana. O perigo mora no la do ambicioso, daquele que usa as oportunidades para ganhar fama e dinheiro numa obsessão que atropela inescrupulosamente tudo e todos que ousarem se posicionar à sua frente. Aí vira pecado capital como diria Paulinho da Viola em sua canção... ?cada um trata de si, irmão desconhece irmão...? Esse filme é muito comum no jogo ambicioso do poder ? o desejo intenso por dinheiro fácil, os constantes desvios de recursos públicos. Compra de votos, sabotagem, traição, falta de transparência, excessos que deságuam dinheiro sujo com a velocidade de uma cachoeira. Aí, sim, está caracterizado o ambicioso submundo da corrupção desvairada.