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Oportunidades e riscos da CPI do Cachoeira

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Ferramenta importante no mecanismo parlamentar e democrático, a CPI tem sido instrumentalizada, nas últimas duas décadas, como palco para manipulação de interesses políticos nem sempre transparentes. Mormente os holofotes de alguns dos mais poderosos veículos de mídia determinam tendências, ao apontar, em nome da ?opinião pública?, os veredictos ?apropriados?, ?merecedores? das manchetes mais elogiosas, assim como indicam os posicionamentos ?impróprios?, antecipando apupos. Entre janeiro de 1995 e dezembro de 2002, o ?abafa? era a palavra de ordem para CPIs, embora casos como a concorrência Sivan/Sipan, a Pasta Rosa, privatizações (especialmente Telebras) e o próprio mensalão (o original), instituído quando da aprovação da emenda da reeleição em 1997, tenham sido ocorrências escandalosamente mais suspeitas que as denunciadas nos últimos dez anos. Apesar de ocuparem, aqui e ali, espaços na mídia, esses escândalos caíram no esquecimento. A partir de 2003, a pressão por CPIs foi turbinada e várias povoaram o noticiário. Poucos resultados concretos foram produzidos e o resumo das pífias óperas aponta para glórias efêmeras de alguns minutos em rede nacional. A Comissão Parlamentar de Inquérito (mista) formada para investigar o caso ?Carlinhos Cachoeira? deixa perplexos e assustados aqueles que se acostumaram ao manipular midiático. Em primeiro lugar, as denúncias objetivas, incontornáveis, alcançam frontalmente alguns dos ídolos de pés argilosos moldados especialmente para o desempenho teatral do papel de arautos da ética. A ópera bufa da ?oposição inatacável? desmanchou-se sobre a ribalta. Em segundo lugar, essas mesmas denúncias laçam estrelas da constelação governamental, reafirmando o caráter apartidário das investigações encetadas. Esta CPI, portanto, tem condições de se reerguer enquanto ferramenta democrática. Não será fácil, pois os interesses em jogo não são pequenos, assim como são proeminentes os personagens em foco. Mas vale a pena tentar; afinal, a alma da democracia não pode ser pequena.

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