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Opinião

ENTRE PREVENIR E REMEDIAR

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Já tarde da noite o telefone toca. A primeira impressão é que é gente da família, esse chão sobre o qual caminhamos ao longo da existência, ou amigos, em número pequeno, para os quais qualquer hora é boa hora. Mas não era. Ao primeiro alô a senhora se identificou. É a Genira, de Recife. E sem mais delongas: é para comunicar-lhe que o Mário morreu. Fiquei estatelado, espantado, atônito. E antes que dissesse alguma palavra, ela continuou. Faleceu vitimado por dengue, tipo 4, hemorrágica. Busco palavras de consolo, mas o que digo parece pouco e incompleto diante dessa tragédia: ?hora cruel das quantas viu o tempo em sua lenta e eterna romaria?, para citar o verso imortal de Shakespeare. Como? E por quê? Estive com o empresário Mário Coimbra, recentemente. Vendia alegria. Tinha na prateleira reservas de humor. Boa conversa, voz fluente, sempre se destacava nos lugares que frequentava. Nas despedidas ? e eu o via de quando em quando ? saia-se com essa: ?essa vida é um buraco, Medeiros; já gastamos hoje mais uma promissória das quantas nos foi doada?. Mas uma coisa me impressionava nesse casal: a generosidade. Sustentavam um abrigo de idosos, e quem os conhecia passava a contribuir para uma irmandade de apoio. Voltemos ao caso da doença que o vitimou. Ele já tivera dengue do tipo 2 há quatro anos. Recuperação total. Agora o tipo 4 foi responsável pelo óbito. Talvez para algum leitor isto mereça uma explicação. São quatro variantes dos tipos da dengue. Uma pessoa que teve dengue pelo tipo 2 fica imune somente ao mesmo tipo e não aos demais. Quem teve dengue uma vez deve redobrar os cuidados: uma segunda contaminação por um subtipo viral diferente pode provocar dengue hemorrágica, muito mais grave. Prevenção. Não pode haver descuidos nem das pessoas nem dos órgãos de saúde. A mídia deve ser mais bem utilizada. Mas o trabalho da prevenção de rua em rua, de casa em casa é importante. A vacina contra a dengue tem estudos avançados. Um imunizante capaz de proteger contra os quatro tipos de micro-organismos causadores da moléstia. Enquanto a vacina não chega soa o alarme: com as chuvas podem aumentar os focos de dengue. ?Quem sabe faz a hora? diz o verso de Vandré.

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