Opinião
CREP�SCULO GREGO
Os gregos estão muito mal. É terrível ter de assistir aos fundadores da Civilização Ocidental, os inventores da ?democracia? mergulhados numa crise tão grave e aparentemente insolúvel. Há de se convir que num país em que 96% da população é alfabetizada, que 100% tem água tratada e 98% dispõe de saneamento básico, a redução de salário, a retirada de direitos trabalhistas duramente conquistados em décadas de lutas, enlouquece os trabalhadores. Mas, o que não se justifica, e o que é absolutamente inaceitável é a presença de neonazistas num parlamento de um país membro da instituída União Europeia. Pois é, pasmem! O Aurora Dourada, partido neonazista, terá 20 cadeiras no parlamento do país que foi o berço da democracia e que, apesar de invadido, foi um dos maiores focos de resistência ao nazi-fascismo durante a segunda guerra mundial, tendo perdido, por isso, entre 1941 e 1945, cerca de 10% de sua população. Seria o episódio ?crise grega? um indicativo do fim do capitalismo? Dr. Ronald Mendonça foi muito feliz em seu delicioso artigo do último sábado, aqui na Gazeta, ao orgulhar-se de poder estar presenciando este fim. Bem, forçando uma analogia com a queda do Império Romano, os ditos bárbaros eram os anglos, saxões, visigodos, povos, por sinal, até civilizados. Pelo menos, bem mais civilizados que os romanos. Mas, a Grécia, ocupada por skinheads? Pois é exatamente nestes momentos de crise aguda que grupos minoritários, com discurso de salvadores da pátria, aproveitam-se da fragilidade econômica, do desespero dos cidadãos para impor suas ideologias de dominação. É preciso lembrar que a guerra contra o nazismo custou 80 milhões de vidas humanas. Portanto, é uma aberração intolerável a presença destas mentes perversas compondo as forças políticas de uma Europa que se autoproclama livre. Só nos resta lamentar que aquele país venha assumir oficialmente o convívio civilizado com esta abominável ultra extrema direita. Que os gregos consigam formar o novo governo de coalizão, cujo processo teve início no último Domingo. Que o bravo povo grego e o Parlamento Europeu tenham força para anular a ação daquelas feras.