Opinião
O mercado e a redu��o do juros
Dois temas naturalmente explosivos, juros bancários e inflação, têm suas ligações inegáveis. E mais elos lhes são impingidos, mormente como forma de ameaça do aumento de um com a redução de outro. Este é, mais ou menos, o quadro atual vivido no Brasil. A ansiada redução dos juros reais teve um alento decisivo com a decisão governamental de pressionar por taxas menores por meio da redução do cobrado pelos dois maiores bancos públicos. A performance de mercado desses dois grandes bancos estatais é a poderosa força que tende a se expandir para todo o segmento, forçando, pelas leis naturais da concorrência capitalista, outras poderosas casas financeiras a uma tentativa de acompanhar o movimento para baixo vanguardeado pela dupla BB & Caixa sobre suas próprias taxas. Uma das questões estratégicas a se levar em consideração é a própria reação do resto do mercado financeiro, que deverá reagir contra tamanha ousadia de querer reduzir, de chofre, os polpudos lucros auferidos pelas altas taxas de juro praticadas. E aí retornamos às ligações reais e imaginárias entre juros bancários e inflação. O problema é que o aumento da inflação, coisa real, já estava acontecendo antes da adoção da alvissareira medida de redução dos juros do BB e da Caixa. Medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) a inflação de abril cravou variação de 0,64% contra 0,21% em março. Segundo os analistas, ?foi o maior índice mensal medido desde abril de 2011, quando a alta foi de 0,77%. O resultado foi três vezes maior que o registrado em março, quando a inflação foi de 0,21%?. Isto com o juro do jeito que banqueiro gosta. A partir de maio, não se iludam: esse indesejável aumento da inflação será atribuído, como se já não viesse acontecendo antes, às reduções de juros dos bancos oficiais. Estamos, portanto, diante de uma parada dura, nada fácil de ser vencida. Convenhamos: reduzir lucro de banqueiro não é coisa simples e/ou fácil. Nem mesmo é coisa de mercado.