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Opinião

A economia real e a mitologia social

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Antes mesmo do termo ?globalizado? ser objeto da moda, o relacionamento entre comunidades distintas e distantes criou algo além de laços comerciais. Observar as experiências alhures, copiar acertos e evitar os mesmos erros é, em verdade, caraterística que acompanha a inteligência humana desde as épocas tribais. Por que não fazê-lo agora, e com muito mais profundidade, nesses tempos apelidados de ?globais?? Este é o caso presente da Grécia e da França. É essencial procurar saber mais sobre os porquês da crise e os dilemas políticos desses dois países europeus. Afinal, poderemos ser qualquer um deles amanhã. As oposições saíram-se vitoriosas das eleições gregas e francesas. Das urnas ainda mornas, é irradiado o calor da esperança renovada. Mas mudou-se em quê e para quem? Serão, enfim, agraciados os milhões de prejudicados pelas políticas conduzidas pelos grupos até então dominantes nesses dois países? Vejamos apenas o caso grego. Aturdidas, as forças políticas renovadas pelas urnas seguem incapazes de compor um gabinete, continuam ineficientes em pôr à mesa as primeiras propostas práticas para a reconstrução da estabilidade econômica e social nos arredores de Atenas. Verdade é que a orientação política derrotada nas recentes eleições gregas privilegiava os compromissos com os banqueiros. Porém, como repudiar compromissos com o sistema financeiro europeu sem comprometer ainda mais a dramática realidade social vivida pela maioria dos gregos? Quem desembolsará os valores exigidos para a manutenção das vantagens conferidas pelos gastos públicos na Grécia? Sair da Zona do Euro não seria, hoje, um desastre ainda pior que o amargado nesses anos de adesão à moeda comum? Restaurar a ancestral dracma não se constituiria num peso ainda mais insuportável? Em cenários distanciados da prosperidade econômica, não podem ser encenadas peças de benesses sociais. Crescer e acumular um mínimo de riqueza é condição sine qua non para a existência de algum tipo de distribuição de renda.

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