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Opinião

N�O CULPEM A POL�CIA PELA VIOL�NCIA

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A questão da segurança virou uma chaga profunda no seio da sociedade brasileira, particularmente no Nordeste, para onde, hoje, estão migrando bandidos de alta periculosidade. Entre todas as funções públicas, nunca se vigiou tanto quanto se vigia o exercício da atividade policial, principalmente a militar, pela sua ostensividade, pela exposição da farda que veste. Apreensivas, as pessoas não têm mais tempo para raciocinar, de separar o joio do trigo; esquecem que, em qualquer ofício, existem bons e maus profissionais. Não se deve generalizar e deixar para trás a importância da boa relação que deve existir entre polícia e cidadão, porque este é o caminho mais curto para se chegar às melhores conquistas. Afinal, não se pode penalizar a polícia pelo crescimento desenfreado da violência. Não é prudente criar situação constrangedora ao ponto de estimular um sentimento desmotivador para os que têm conduta ilibada, são dedicados, apaixonados pela profissão. E, com certeza, a grande maioria da corporação age assim, sofre por não poder exercer com intrepidez a sua missão. A violência é resultado do sistema, da ausência de políticas públicas, principalmente pela falta de investimentos em educação, saúde, erradicação dos bolsões de miséria. É resultado de uma história de omissão que já demanda muitas décadas. Estamos preocupados apenas com o que acontece nas ruas, os assaltos, sequestros, a proliferação da droga, e sequer nos damos ao trabalho de entender um pouco do quanto a violência adentrou nos lares brasileiros. O quanto atingiu fortemente mulheres, e, principalmente, crianças ? que, agredidas, sem amor, esperança, sem escola e sem comida são adotadas pelos encantos da marginalidade e se transformam nos bandidos do futuro. O Brasil está no grupo das sociedades mais violentas do mundo. E, para nossa inquietação, Alagoas é a porta-bandeira desse mal do século. Não podemos deixar de contabilizar nesses números a avassaladora corrupção que joga no esgoto rios de dinheiro, travando o avanço do crescimento dos Estados. A violência da corrupção nos poderes tira da Nação o direito fundamental dos cidadãos de conviver em harmonia, trabalhar para ganhar o sustento da família, produzir e se divertir, protegidos dos riscos que as ruas e os gabinetes oferecem. Direito à segurança é um serviço essencial para a sociedade, que vive hoje uma crise sem limites, devido ao aumento da criminalidade e à fragilidade das instituições. Estamos todos infelizes; a sociedade está infeliz.

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