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As demagogias e a for�a da viol�ncia real

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Enquanto se polemiza sobre a colocação de Alagoas no ranking nacional (e internacional) da violência, os números da morte não perdoam, nem demonstram conhecimento do sinal de subtração e sugerem preferência pelo da multiplicação. Ontem, um dos destaques na web foi o assassinato de um empresário, José Edvaldo Brandão, de 68 anos, ao reagir a um assalto num conhecido supermercado. E o pior de tudo é a constatação de que esses números terríveis têm sido usados como meras peças de propaganda. De um lado, o governo estadual contesta as evidências ululantes; de outro lado, alguns fazem dessa tragédia plataforma eleitoral, e até numa tragicômica vertente a mortandade é desfraldada como bandeira sindical, onde salários maiores são exigidos como solução para o quadro de mortal insegurança pública. As verdades sobre essas manipulações caem como mais violências sobre a opinião pública. Senão, vejamos: o governo contesta o incontestável, pois nenhum ajuste nessa contabilidade (considerando-se a possibilidade de falhas metodológicas no processo de coleta de dados) será capaz de revogar a ignomínia indiscutível da violência que grassa em Alagoas. Igualmente, jamais meras palavras de ordem, do tipo ?eu farei, se eleito?, terão o condão de equacionar uma situação tão dantesca. E, por fim, embora Alagoas esteja na pior colocação em todas as tabelas da segurança pública, nossas polícias (que não ganham bem) não são as piores colocadas nos rankings dos salários policiais brasileiros. O resumo da ópera indica que enquanto se rouba, se mata, como nunca na história alagoana, essa tragédia só é pensada como peça de marketing em defesa de seus interesses pessoais, e/ou de grupo, por quem tem responsabilidades de enfrentá-la. Apesar de bons exemplos dados pelos policiais que procuram, em primeiro lugar, cumprir da melhor forma sua missão (mesmo que mal remunerados), continua faltando um plano global, uma linha política corajosa capaz de transformar, para além das palavras, a segurança pública em verdadeira prioridade.

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