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Trov�es e raios trepidam o euro

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Uns raios fizeram atrasar a reunião entre os dirigentes da França e da Alemanha. Mas, em verdade, é no horizonte da economia que ribombam os mais assustadores trovões e relampejam descargas elétricas de altíssima voltagem. É neste campo que o primeiro encontro entre o novo presidente francês e a curtida chanceler germânica chama tanto a atenção. Até porque a tendência ululante é de desencontro entre Paris e Berlim. Na gestão Sarkozy, a França seguiu a reboque da Alemanha (o que tem lá seus precedentes...), chancelando a supremacia teutônica. A expectativa é do surgimento da resistência francesa como a grande novidade no teatro de operações. Resistir é preciso. Mas não é simples. A proeminência alemã, embora hoje se destaque por sua força financeira, está assentada numa poderosa e eficiente indústria. Será um desastre, caso isto não seja entendido e o poder alemão vier a ser enxergado apenas pela questão financeira. A unificação da moeda desarmou as defesas nacionais, mas antes disso a Alemanha já era a mais poderosa do pedaço. Os estudos indicam que ?de 1998 a 2008, o superavit comercial da Alemanha com a Espanha multiplicou-se por 11; com a Itália, 8,6 vezes; com Portugal, 7; com a Grécia, 3,5?. Dos espanhóis, os alemães ganharam ?US$ 270 bilhões no comércio de bens de 1999 a 2010? e sobre os franceses, os germânicos cravaram um saldo de US$ 328 bilhões. Ainda sob o marco como moeda, em 1998, a Alemanha já registrava um superavit sobre seus futuros colegas da Zona do Euro na ordem de US$ 29 bilhões. O que aconteceu, a partir de 1998, foi uma blitzkrieg industrial e não um golpe bancário. A solução, portanto, não poderá acontecer apenas pela via monetária. Muito menos pelo simples relaxamento da austeridade nas contas. Cada país da Zona do Euro ainda é um universo particular, e cada Nação, como dantes, terá de encontrar seus próprios caminhos para crescer e seguir se desenvolvendo. Salvaguardas nacionais ainda estão na ordem do dia. Ou seja: amigos, amigos, negócios à parte.

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