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PERVERSOS JULGAMENTOS

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Situações vivenciadas em diversas áreas ganham notoriedade e a qualificação de perversas, sendo acompanhadas por manifestações intensas e dramáticas. As mais questionadas, comportam enfoques distintos, apesar de declinar uma mesma expressão. O governo federal, de forma solene, acaba de definir como perversa a atuação dos bancos da rede particular. Dentro do contexto da cobrança dos juros altos e das tarifas exorbitantes que, os conduzem a lucros fabulosos em detrimento da economia popular e do próprio desenvolvimento social do País. No entanto, a cobrança oficial dos impostos representa uma consagrada política de governo, extremamente perversa. A carga tributária nacional, produto de uma vasta série de impostos e alíquotas insensatas, continua sendo considerada como a mais alta do mundo civilizado. Realidade cruel, acrescida pela deficiente correspondência da prestação dos serviços essenciais proporcionados à população, a exemplos dos setores da saúde, educação, segurança pública, transporte e de outras lamentáveis omissões governamentais. Na esfera penal, a perversidade caracteriza os requintes da prática de um crime, a personalidade do acusado, o grau da ofensa cometida contra o corpo social. Esse comportamento delituoso condiciona a severidade dos julgamentos e a resposta incisiva do sentimento de Justiça. A crescente dimensão da perversidade pode gerar argumento de uma possível tese de defesa. A perversidade, já diziam os antigos, seria uma forma de anormalidade. Uma conduta manifestamente doentia, dentro dos parâmetros codificados, poderá ensejar critérios especiais de julgamento. Nas relações sentimentais, o comportamento perverso de um dos parceiros pode destruir a realização do enredo de um romance. Mas, existem pessoas que cultivam as tormentas e se apaixonam pelo amor de alma bandida, desafiando riscos e marcantes consequências. O mundo se revela dominado por realidades contraditórias e confrontos implacáveis. Valores injustos nos fazem lembrar de Manoel Bandeira, ao reconhecer em um dos seus sonetos, diante das perdas humanas, que a vida apesar de seus encantos seria sempre traiçoeira.

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