Opinião
Sinal amarelo: um d�lar custa dois reais
Ficar de olho na distância do valor do dólar americano em relação a sua moeda nacional não é um privilégio do brasileiro. Especialmente desde o pós-II Guerra Mundial, o globo passou a girar em volta da divisa americana como referência monetária. No caso do Brasil nosso dramático histórico inflacionário acresceu à moeda americana o condão de oráculo cotidiano, onde a cotação para mais ou para menos apontava para maiores ou menores sofrimentos pecuniários. Evidentemente que o câmbio entre moedas sempre influenciou os fluxos de importação e exportação, sendo usada desde tempos imemoriais à prática de artificializar valorizações e/ou desvalorizações monetárias como regulador desses movimentos de entrada e saída de mercadorias. Esse duplo papel da variação de preço entre moedas existe sempre, entre todos os países. E o Brasil hoje sente com mais intensidade esse dilema, onde a memória inflacionária, trazendo dolorosas recordações, parece acentuar as contradições naturais da política de valorização/desvalorização da moeda nacional frente ao dólar. No momento onde o dólar alcança o patamar de 2 para 1 em relação ao real, cai a ficha da cultura econômica brasileira. Por um lado, os exportadores alegram-se, doutro lado os consumidores tupiniquins entristecem. E os economistas suspeitam de efeitos estimuladores ao dragão da inflação, bicho indomável e imortal que sempre está à espreita de uma oportunidade que seja para lançar-se sobre a economia. Como lembram os economistas esta atual alta do dólar é uma tendência global, turbinada pela crise na Europa. No caso do real um outro fator a ser considerado é a pífia performances das commodities (onde o Brasil tradicionalmente ganha uma boa grana). Em resumo: a moeda americana tende a subir de preço, independente dos movimentos isolados de uma ou outra economia nacional. Assim, no momento onde temos que desembolsar R$2 para comprar US$1 é melhor ter mais cautela frente às prateleiras dos importados e se preparar (com menos dívidas) para marolas inflacionárias.