Opinião
A NOVA MEDICINA
Se de um lado a Medicina tem alcançado uma qualificação admirável ? com suas novas descobertas para sanar doenças antes fatais, aumentando a longevidade dos seres humanos, dando esperanças para as vítimas de males antes incuráveis ?, a figura de alguns médicos mudou totalmente. Tornaram-se frios, de contato às vezes inacessível, mesmo quando procurados por clientes particulares. Para alguns mais qualificados, é um verdadeiro problema; as consultas só podem ser marcadas num prazo tão distante que se o mal for muito grave, o doente até lá já estará morto, ou já se encontra curado com as graças de Deus. É claro que essa atitude traz a indignação do cliente, que às vezes resolve ir procurar outro especialista mais gentil e compreensivo. Na semana passada, assisti na televisão ao drama de um pobre homem, vítima de um AVC muito grave, que procurou por socorro em vários hospitais particulares ou públicos e, quando finalmente achou um que o atendesse, criaram tanto problema por causa do pagamento da caução, que tinha que ser em dinheiro ? isso à 1 hora da manhã ?, que o pobre homem acabou por falecer. Já existe uma lei condenando essa atitude dos hospitais, mas infelizmente ainda não foi assinada pela presidente. Sabemos que a Saúde e a Educação no Brasil se transformaram num caos. Hospitais desaparelhados, mal higienizados; Maceió não criou um só leito hospitalar, pelo contrário, como diz o dr. Sandoval Arroxelas Nobre em sua bem redigida crônica da Gazeta de ontem; vários hospitais estão em crise; alguns fecharam suas portas; outros não atendem a doentes do SUS; doentes são transferidos para outros nosocômios em diferentes cidades. É inacreditável! Mas os médicos de que estou me queixando não são nem do SUS nem sequer de convênios. São pagos na hora da consulta, pelo preço que cobram já assim procurados porque a pessoa que está querendo um atendimento está pagando para ser recebida na hora em que necessita do médico, está doente e não pode esperar um mês para ser recebida. Tenho sido vítima desse tipo de coisa em momentos bem sérios. Sou cardíaca e diabética, tenho 88 anos, e fiquei revoltada com essa espécie de tratamento por alguns grandes especialistas daqui. Felizmente, existem os que não são como esses e fui acolhida por outros profissionais compreensivos e atenciosos. E sou viúva de médico, mãe de um e avó de três que, tenho certeza, não usam desse expediente.