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AS “LITURGIAS” E A LITURGIA DE CRISTO

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É comum escutar, nos dias de hoje ? diante do crescimento das ?missas-show?, com suas improvisações e invenções de conteúdo pobre ?, as seguintes afirmações: ?Não gosto da liturgia daquele padre?, ?A liturgia daquele padre é bem mais criativa?. São colocações lamentáveis por revelar a insuficiente compreensão do que seja, de fato, a liturgia, e, de modo mais preciso, a santa missa. A liturgia católica não é obra deste ou daquele sacerdote. A liturgia é obra de Cristo confiada à Igreja, é o seu culto público e oficial. Esta, quando celebra os santos mistérios, cumpre o mandato do Senhor de fazê-lo em sua memória. Assim, através dos tempos, a Igreja, por meio dos sagrados ritos, na potência do Espírito Santo, torna presente o único mistério pascal de Cristo ? sua paixão, morte e ressurreição. Portanto, a liturgia não se inventa. Ela se recebe, assim como é recebida a Palavra de Deus nas Sagradas Escrituras e na Tradição. Na liturgia adentra-se, com a devida reverência e contemplação, no espaço e no tempo divinos, assim como se deve adentrar na leitura da Palavra de Deus e ruminá-la. É importante lembrar: no início, a humanidade, chamada a receber o dom da graça ? tão bem apresentada na narrativa do Gênesis ?, quis usurpá-lo, tomando posse daquilo que cabia somente a Deus conceder. Essa mesma tentação se reacende nos dias atuais. Alguns não se satisfazem em acolher com humildade a graça provinda nas rubricas litúrgicas, mas, acreditando-se adultos demais, querem manipular, deturpar o dom de Deus. Resultado: em algumas ?liturgias?, somente encontramos o velho e decadente homem e suas proezas, e não o paradigma do homem novo, que é o Cristo imolado/ressuscitado nos altares. Este ano, completam-se 50 anos da abertura do último concílio realizado na Igreja, o Vaticano II. É preciso tê-lo sempre presente, e, no quesito liturgia, orientar-se a partir do que diz o texto da constituição que trata desse tema; lendo-o sempre dentro da tradição da Igreja. Quando se perde de vista o ensinamento das Escrituras, da Tradição, sob a guia segura do Magistério da Igreja, corre-se o risco de se aventurar nas sendas sempre perigosas das invencionices teológicas, morais e litúrgicas. E, no campo litúrgico, tudo fica de muito mau gosto.

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