Opinião
UM TIRO TRAI�OEIRO NA SOCIEDADE
No dia quinze do próximo mês alcançaremos trinta anos de um episódio triste e lamentável na história de Alagoas. Ele havia passado a tarde pelos bairros de Maceió, em companhia de um amigo, fixando cartazes de sua candidatura a deputado estadual em estabelecimentos de simpatizantes. Às 17h30 do dia quinze de junho de 1982, no exato momento em que saía do seu escritório, situado na antiga Rua Augusta, no Centro de Maceió, uma emboscada aguardava o jornalista e advogado Tobias Granja. O pistoleiro agiu covardemente pelas costas e disparou um tiro mortal em sua nuca. Imediatamente, o Sindicato dos Jornalistas e outras entidades da sociedade civil, como a OAB, denunciaram o clima de insegurança e a pistolagem institucionalizada. A entidade dos profissionais de imprensa, sob a liderança do jornalista Dênis Agra, transformou-se no ?Sindicato da Vida? contra o ?Sindicato da Morte?. Tobias Granja era advogado do ex-cabo José Henrique da Silva e de seus irmãos, que estavam envolvidos num conflito sangrento com integrantes poderosos da família Cavalcanti Lins/Calheiros. Era tempo difícil, com o País voltando a vivenciar a primeira eleição direta para governadores dos Estados pós 1964. Exatamente um ano antes de ser assassinado, no dia 15 de junho de 1981, Tobias havia peticionado ao presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas. Sob o protocolo 22.489, ele praticamente vaticinou: ?A arma contra a covardia é a fé, a convicção na verdade. Nem as emboscadas, nem as bombas nos amedrontam, porque uma ideia não morre no meio do fogo. Se for preciso, entrego minha vida em sacrifício?. A fama de Estado violento realimentou-se, no curso histórico dos acontecimentos, por fatos como esses que ocorreram no início da década de 1980, tendo como agravante imperdoável a omissão daqueles que respondiam pelas instituições. Até a ficção cinematográfica se coadunava com a realidade. O velho Cine Ideal, no bairro da Levada, como se vivesse sintonizado com o clima de apreensão, mantinha em cartaz, naquele junho de 1982, o filme Deus perdoa, eu não. A manifesta coragem de Tobias de enfrentar os violentos não foi em vão. Aquele tiro traiçoeiro atingiu a coletividade, mas muitas vitórias aconteceriam a partir dali ? sempre em defesa da paz e da justiça. E com a altivez de segmentos da imprensa e de organizações sociais.