loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
segunda-feira, 27/07/2026 | Ano | Nº 6275
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O NOVO PENSAMENTO AUTORIT�RIO

Ouvir
Compartilhar

O recente artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre livro do sociólogo francês Alain Touraine é um sinal de novas tendências no campo doutrinário do chamado novo liberalismo. Ao lançar as bases do que propõem como paradigmas da política e da moral pública, FHC e Touraine indicam os caminhos que o pensamento hegemônico da nova ordem mundial deve tomar e as premissas ideológicas hasteadas pelo capital financeiro internacional. Fernando Henrique afirma, em primeiro lugar, que daqui para a frente o confronto central da civilização será entre o mundo do lucro e a defesa dos direitos humanos, do individualismo com responsabilidade social. Mas isso aponta para a tentativa de se rebaixar, teoricamente, ou esconder os fatores econômicos nos destinos das sociedades e dos indivíduos. O ex-presidente-sociólogo argumenta que os partidos políticos teriam perdido a sua lógica e razão de existir e deveriam ser substituídos por outras formas de organização, que seriam consagradas por uma suposta Nova Era das sociedades ? onde os conceitos da ?pós-política? e da ?pós-economia? devem conduzir o futuro da humanidade. É importante frisar que essas ideias não são originais, tanto no âmbito da História quanto no pensamento político, e estão em moda, nesses últimos vinte anos, via complexo midiático hegemônico internacional como propaganda ideológica de desestímulo à participação popular nos destinos políticos das nações ? que também promove intensamente o engajamento das pessoas em causas fragmentárias, tópicas, atomizadas, especialmente por meio das ONGs, que são, em última instância, um sub-produto do neoliberalismo, cujas origem e essência residem na ideia da fragilização do caráter estratégico do Estado nacional. O que aparece, na verdade, como novo é a negação explícita à existência dos partidos políticos, além da tentativa de criminalização da ciência econômica como instrumento fundamental para compreensão dos mecanismos das sociedades e, por conseguinte, dos caminhos para a sua transformação. Assim é que surge agora a apologia de uma espécie de Nova Inquisição contra o pensamento científico. E, com a falência generalizada da nova ordem mundial, das agremiações neoliberais ortodoxas mundo afora, já se pensa abertamente em doutrinas que justifiquem o retorno dos regimes autoritários como freio ao crescimento das nações e às lutas dos povos.

Relacionadas