Opinião
O FUTURO DE UMA ILUS�O
Quem entre nós já não passou por momentos críticos, que prefere até não recordar, quando acometido por uma enfermidade, ou vendo um ente querido adoecer seriamente, não precisou de um atendimento médico eficiente e imediato? Configurando-se uma situação de emergência, quem não quer resolvê-la rápida e eficazmente? Em momentos críticos, quando tudo fica negro e a recuperação da saúde, o salvar a vida, passa a ser tudo de mais importante, quem não quer ter esse direito? Quarta-feira passada, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, publicou na Gazeta de Alagoas, um artigo onde alardeava que cobrar caução nas emergências dos hospitais privados e filantrópicos passava a ser crime, com multas e prisões para os desobedientes. Dessa forma, todos passavam a ser atendidos gratuitamente em suas inúmeras emergências no hospital de sua preferência. Como em um passe de mágica, um decreto resolveria a caótica situação das emergências médicas no País. Ramon Gómez de la Serna escreveu: ?Que é a ilusão? Um suspiro da fantasia?. Infelizmente, no mesmo dia, uma das maiores emergências do Sul do Brasil, a do Hospital Conceição de Porto Alegre, fechava por excesso de pacientes e falta de condições de atendimento. Coincidentemente, um dia antes, na reunião do Conselho Médico da Santa Casa, os colegas da emergência 24 horas faziam mais um infrutífero apelo em busca de mais colegas para trabalhar naquele desgastante setor. Há excesso de pacientes, o labor é extremamente estressante e se ganha mal. A latere, os hospitais que atendem ao SUS em Alagoas têm milhares de atendimentos feitos à população e não pagos pelos gestores, pela falta crônica de recursos. O hospital que mais atende ao SUS em Alagoas tem atendimentos feitos não pagos que ultrapassam os 14 milhões de reais. Todavia, os médicos e fornecedores precisam receber. Resumindo: caso aumente a demanda dessas emergências, e não exista cobertura dos atendimentos, infelizmente, a situação pode piorar ainda mais; para os hospitais, tendo que fecha-las ou quebrando definitivamente, e, principalmente, para os pacientes. Todos queremos uma medicina mais solidária, mais digna e mais humana, como vemos em países como a França e a Suécia, onde as prioridades não são só um discurso de campanha política. Napoleão afirmava: ?A imaginação governa o mundo?. Contudo, uma questão tão importante precisa ser enfrentada com a seriedade que ela exige.