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O DOM DO ESP�RITO SANTO

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No último domingo, 27 de maio, os cristãos católicos celebraram a solenidade de Pentecostes, encerrando, assim, a Páscoa de 2012. O evento celebrado é a vinda do Espírito Santo como dom divino concedido à Igreja. A festa de Pentecostes era, para o povo judeu, a festa da entrega da Lei, comemorada cinquenta dias após a Páscoa. Essa festa coincidia também com o início das colheitas. Por isso, Pentecostes também era identificada como a festa das primícias. Para os cristãos, a vinda do Espírito no contexto dessa festa judaica possui um significado profundíssimo: o Espírito Santo é o verdadeiro dom vindo do alto, o fruto verdadeiro e bendito colhido da Páscoa de Cristo. E é essa a novidade do cristianismo: pelo Espírito Santo, infundido em nós, a vida de Deus nos é interior. Pelo Espírito, partilhamos a mesma vida do Filho de Deus, Jesus Cristo; por isso também somos filhos adotivos de Deus. A fé cristã não se trata de um seguimento de regras externas. O Espírito é derramado sobre cada um de nós, assumindo a nossa forma, transfigurando aquilo que somos, não para nos despersonalizar, mas para fazer resplandecer aquilo que há de mais humano em nós. Assim, à medida que o Espírito nos diviniza, Ele nos humaniza. Não se trata do Espírito agir em nós como numa possessão, mas Ele gera em nós uma obra nova, a vida da graça, de tal forma que somos nós mesmos e, ao mesmo tempo, somos tão parecidos com o próprio Cristo. Sim, porque a missão do Espírito não é outra senão a de plasmar, modelar em nós os traços de Jesus Cristo. A fé cristã é, portanto, vida na interioridade do Espírito Santo. Eis o que é comemorado em Pentecostes: o fruto da Páscoa do Senhor, o doce e suave Espírito Santo. Ele é a seiva que dá a vida a nós, ramos da verdadeira videira, Jesus Cristo, cujo agricultor é o Pai do Céu. O Pentecostes aconteceu historicamente há mais ou menos dois mil anos e continua a acontecer em cada sacramento cristão, principalmente na Eucaristia, quando o Espírito Santo é invocado e transfigura as espécies eucarísticas no Corpo e Sangue do Senhor, fazendo Cristo mais íntimo de nós do que nós mesmos.

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