Opinião
O M�DICO, O CRIME E O GOVERNADOR
O recente assassinato de um homem reconhecidamente de bem e do bem, pacato, amigo dos amigos, pessoa afável e de boa índole, conversa fácil e agradável, mobilizou a sociedade alagoana, esta semana, contra a violência escancarada que vivemos em Maceió. Não sou sociólogo e, por essa razão, deixo as análises das causas da violência a que estamos submetidos aos profissionais da área; mas sou membro do Ministério Público, promotor de Justiça há 28 anos e, muitos destes, a maioria, por sinal, como promotor criminal. E o que nos falta? Falta-nos uma polícia mais aparelhada tecnicamente, pois, sem a condução científica das investigações, pouco resta a fazer. Aliás, por si só, falam os inquéritos instaurados e mal instruídos. Faltam-nos policiais nas ruas, enquanto sobram policiais a cuidar de prédios públicos nos três poderes ? segurança que, aliás, deve ser exercida por empresas terceirizadas. Também virou moda o tal do gabinete militar, que só existia para o governador do Estado. Talvez acaricie o ego de alguns tolos que não percebem o quão passageiras são as suas funções, mas exerce um efeito cruel no dia a dia dos que pagam por esse serviço. Que tal reduzir os efetivos de policiais militares nas repartições públicas e aumentá-los nas ruas, já que a presença ostensiva da polícia comprovadamente reduz os índices de criminalidade? Se tivéssemos uma ronda policial constante e eficaz no corredor Vera Arruda, ninguém teria medo de circular naquela área e os crimes não ocorreriam com a frequência que ocorrem. Não foi apenas essa tragédia que se abateu sobre o José Alfredo que nos revoltou a todos, mas, certamente, ela foi a gota d?água que escorreu e nos levou a gritar que estamos fartos! Como sociedade, nós não objetivamos o nirvana, mas exigimos o mínimo essencial que nos é devido por direito, já que pagamos nossos impostos e estes sustentam o sistema. E não nos venham falar de insuficiência ou falta de meios, pois este discurso não nos cabe, já que, diferentemente do público-alvo a que sempre é dirigido, nós frequentamos a escola e sabemos ler e escrever ? ou seja, somos cidadãos na concepção própria da palavra. Pois é... Se o governador sentiu o golpe e correu para Brasília em busca de recursos foi porque, como disse Sartre, ?a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota?... E o preço político pode ser alto!