Opinião
CORREDOR DA MORTE
No fim da tarde do sábado 26/05/12, José Alfredo Vasco Tenório, 67 anos, fora vítima de assalto seguido de morte (latrocínio) no Corredor Vera Arruda, por ter oferecido resistência em entregar a bicicleta que conduzia aos dois ladrões que fizeram o disparo que determinou sua morte. Bem ali perto, dias antes, no estacionamento de um hipermercado, o empresário José Edvaldo Brandão, 68 anos, tivera o mesmo fim trágico e nas mesmas circunstâncias. Não tive a oportunidade de conhecer nenhum dos dois, mas conheço muito bem a insegurança do Corredor. Maior área de convivência do Stella Maris, cercada por prédios de apartamentos, representa para os moradores o único espaço livre com alguns equipamentos para exercícios físicos, brincadeiras de crianças fora de casa, passeio de cachorros que ali identificam áreas para marcar o território com seus excrementos e, infelizmente, usuários de drogas e assaltantes. O que poderia ser espaço seguro de convivência para os moradores passou a ser preocupação com a insegurança evidenciada por posturas que indicam a absoluta falta de intervenção do poder público. Existia a ?casinha? da Guarda Municipal que abrigava o efetivo que trabalhava na guarda do patrimônio ali instalado; mas, por infeliz decisão de diretor, fora destruída, processo iniciado pelos próprios delinquentes, que dela faziam abrigo seguro para uso e tráfico de drogas. As obras que homenageiam os grandes escritores alagoanos são os alvos prediletos dos pichadores; nos bancos, o que era espaço para assento serve como piso e o encosto como assento, acredito até que seja postura de inclusão marginal. A escuridão é outra marca do Corredor, é como se ali existisse grande gargalo de distribuição de energia elétrica e reposição de equipamentos que desafiasse a engenharia e/ou gestão pública. Outro complicador é a falta de policiamento que faça intervenções aplicadas às demandas existentes, principalmente grupos de jovens usuários e traficantes de drogas, muitos praticantes de assaltos e arrastões. O Corredor é ponto de passagem dos moradores que vão às compras, às escolas, aos restaurantes e demais serviços do entorno, conduzindo dinheiro, telefone celular, objetos de valor; alguns deles caminhando ou pedalando em direção à praia para exercícios físicos, na busca de melhor qualidade de vida. Mas, no trajeto, podem encontrar assaltantes que veem em tudo isso grande oportunidade e, se contrariados, matam.