Opinião
O imobilismo em forma de poder
Sacudida por grandes manifestações de protesto, a percepção dos poderes públicos de Alagoas parece, apesar de genuinamente impactada, perplexa diante dos fatos. E, infelizmente, não se nota nenhuma atitude merecedora da adjetivação ?inovadora?. Na atual realidade alagoana, indignar-se é preciso, porém insuficiente, para que alguma mudança possa ser distinguida em horizonte próximo. E, além de manifestações de modesta indignação, nada se percebe em todo o conjunto de autoridades responsáveis pela (in)segurança pública. Ulula também o descompromisso de auxiliares mais próximos ao chefe do Executivo, o que saltou aos olhos quando da lamentável declaração sobre o início das obras de um suposto novo Instituto Médico Legal, dito escancaradamente contraditório com a incontornável imagem de abandono do terreno no qual se pretende instalar o futuro IML. O governador não precisava pagar esse mico. Encabula a cidadania também outro mico, expresso nas declarações de líderes e entidades policiais que verbalizam contra a impotência do Estado frente ao crime como se fossem integrantes da polícia de outra unidade da federação, de outro país, ou quiçá de planeta distante. E, o mais escabroso, há quem ouse desfraldar o opróbrio do número de vítimas de assassinatos como mera bandeira salarial (!). Quais as opções para mudar esse rumo? Apoio da União? Sim, mas o governo federal tem tido presença constante, inclusive indicando dois secretários. Mais policiais? Sem dúvida, mas existe o risco de parte desses novos contingentes ser convocado para os ?gabinetes militares?. Salários maiores? Pode ser, mas hoje Alagoas não é o último em remuneração dos policiais, embora seja o derradeiro em todos os índices de segurança. Melhores condições de trabalho? OK, mas nos momentos seguintes à chegada de novíssimas viaturas, por exemplo, não se percebem alterações positivas no policiamento. Enfim, precisa-se de tudo isso. Mas é indispensável uma mudança radical na postura, na política de governo e no compromisso das polícias para com a segurança.