Opinião
Dan�a das moedas: A libra de olho no euro
Ao mesmo tempo em que ruflam os tambores pela comemoração das Bodas de Diamante da rainha Elisabeth II, os britânicos não desgrudam o olho da realidade nada festiva da Zona do Euro. E do alto da experiência de séculos como a maior potência do planeta, procura se antecipar aos próprios donos da moeda em risco. Enquanto Paul McCartney, Elton John e Stevie Wonder cantam para a monarca mais longeva dentre as cabeças coroadas de nossos dias, os economistas britânicos, entre um aplauso e outro, entrecortando contas e teses com brados do clássico ?God Save the Queen?, projetam cenários futuros para seus vizinhos enredados no euro. O instituto Policy Exchange, em Londres, estipulou um prêmio de 250 mil libras esterlinas (algo como R$ 784 mil) para quem bolar ?o melhor plano de contingenciamento para uma potencial ruptura no bloco dos países de moeda única?. Com a discrição típica dos súditos de sua majestade, parece que os pensadores britânicos estão a antecipar a partitura de um réquiem para o euro. E a pergunta que dá o mote para o concurso é: ?Se um membro da Zona do Euro deixar a união monetária e econômica, qual seria a melhor forma de gerenciar tal processo para assegurar as bases do crescimento e da prosperidade do bloco no futuro??. Pode parecer arrogância britânica, mas a iniciativa comprova o cuidado devido em estudar as tendências para o futuro próximo. Cuidadosos, sempre desconfiados com o excesso de confiança, os britânicos evitaram sacrificar a velha e boa libra. Mesmo durante os tempos do ?império onde o sol não se punha?, as principais colônias dos ingleses mantinham suas próprias moedas nacionais, numa clara percepção de que economias distintas necessitam de divisas próprias para regular suas relações com os demais mercados. O euro é uma ótima ideia. Uma iniciativa ousada, tão atrevida que agora está a pagar um alto preço por sua portentosa aposta em unificar desiguais. Pelo sim, pelo não, é melhor ficar atento aos resultados do concurso inglês. Melhor uma libra na mão que vários euros voando.