Opinião
Sobre resultados nas a��es policiais
Não só em Alagoas o drama da segurança pública provoca preocupações, estudos, polêmicas. E equívocos infantis. Recente estudo realizado em São Paulo indicou que, dentre as corporações policiais paulistas, a PM mata seis vezes mais que a Civil. Essa constatação sobre a ?letalidade? das forças da Lei causou certo impacto, estimulando as correntes que pleiteiam o fim das polícias militares no Brasil. Não é o caso dessas linhas defenderem, neste momento, alguma posição acerca das estruturas das forças policiais brasileiras. O objetivo aqui e agora é sugerir reflexões sobre o objeto dessa pesquisa. Daí, colocando o dedo na ferida, podemos indicar sem dificuldade um grande equívoco de leitura. Entender como uma aberração a diferença entre os mortos nas ações das polícias militar e civil demonstra uma completa ignorância sobre as funções das duas forças. Ora, a PM é a responsável pelo policiamento ostensivo, tem a responsabilidade de dar o combate inicial, em simultâneo com o ocorrido. A PC é a força judiciária, cuja incumbência é investigar, construir os inquéritos competentes e sua atuação deve se dar depois da ocorrência. Ambas são passíveis de confrontos letais no cumprimento de suas funções e atribuições, só que as PMs têm todas as chances de se verem lançadas ao confronto letal como ação própria, cotidiana, de sua missão. Os resultados não poderiam ser diferentes. Arguir a necessidade de extinção do caráter militar de uma das corporações policiais por conta dessa ?desproporção letal? é erro infantil ou deslealdade cívica. Focando noutro aspecto dessa mesma pesquisa, é sempre bom lembrar que os gigantismos dos números paulistas são referenciais válidos para o resto do País. E é importante lembrar, ao estudar os resultados das ações policiais no Brasil, que entre 2000 e 2010, São Paulo deixou de ser o 4º Estado mais violento do Brasil para se tornar o 25º nesse ranking letal. Enquanto isso, na mesma década, nossa Alagoas pulou da 11ª posição para a 1ª na mesma lista dos Estados onde mais se mata. Terá relação uma coisa com a outra?