Opinião
CANGACEIROS DO ASFALTO
Observa-se um retrocesso na história do Brasil retratado por bandoleiros que, bem armados, não respeitam policiais, juízes e cidadãos comuns ora aterrorizados, acuados e enclausurados. Lampião, o último cangaceiro gerado do injusto ? e conivente ? sistema do coronelismo reinante, ainda, no Nordeste, só foi executado na grota de Angicos sob a traição de olheiros outrora fiéis que, corrompidos ou torturados, deduraram à força policial onde estava o chefe dos chefes do cangaço que atemorizava nove Estados. O que ora se vê é um fenômeno social de proporções alarmantes onde o cidadão ? desarmado por lei tendenciosa com vista a torná-lo indefeso ? atrai a sanha de marginais que se espelham no roubo indiscriminado cometido pela banda podre da sociedade, representada por entes de conduta espúria que se locupletam de recursos públicos, saídos de seu bolso com o selo oficial de impostos. Com o advento de bolsas isso e aquilo nota-se o crescimento do ócio da juventude que sobrevive das aposentadorias de pais que não são eternos, de bolsa escola, bolsa família, bolsa gás e, sem perspectivas de emprego, abraça a marginalidade se drogando, prostituindo e latrocinando cidadãos, hoje confinados em casa mas sem efetivo instrumento de defesa que, os marginais sabem, foram recolhidos. A corrupção grassa em todos os setores e, perplexos, vemos a maioria sem base familiar, educacional e moral, admirar os que enriquecem no poder público de maneira vertiginosa, impunes, ou ser condenados à pena máxima de se aposentar com seus salários normais como é o caso de alguns juízes corruptos. Quando os governos vão entender que o ovo da serpente já gerou os filhotes do mal, e não há ação em curto prazo que reverta a absurda e incontrolável criminalidade que tantas vidas já ceifou? Assaltam-se bancos, de forma exponencial em ano eleitoral, e os cidadãos sabem mas não bradam que é a busca de caixa para campanhas de alguns políticos acanalhados. As polícias não conseguem proteger os cidadãos nos centros urbanos, muito menos poderão fazê-lo no campo, e nas estradas que se tornaram rotas do terror. Metralhadoras e fuzis que caem às cachoeiras nas mãos de marginais não foram furtados de cidadãos. Impõe-se a revisão da lei de desarmamento. Devolva-nos as armas, presidente! É mais digno morrer tentando se defender de cangaceiros do asfalto do que clamando por um socorro que nunca chega a tempo. Quiçá o Celestial.