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quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
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Opinião

POR UMA VIS�O SIST�MICA DO TRANSPORTE URBANO

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Maceió, como toda grande cidade, cresceu horizontal e verticalmente, abrangendo novos bairros periféricos, afastados do Centro comercial. Mas, ao contrário de outras grandes cidades no mundo, a infraestrutura de transporte não acompanhou esse crescimento e careceu de planejamento e de visão de futuro. Sem isso, temos hoje uma Maceió que parece inchada, cheia de congestionamentos e com poucas alternativas viárias. Por isso a preferência da população sobre o transporte particular: mais de 20 mil novos carros entram em circulação todos os anos na cidade, intensificando ainda mais os grandes gargalos no trânsito. Um deles, a Fernandes Lima, terá seus problemas minimizados com a nova linha de VLT, que começa a ser implantada em 2013. É uma conquista histórica para uma capital que chega a um milhão de habitantes ainda sem um sistema de transporte de massa eficiente. O projeto vai interligar o aeroporto ao Centro, com terminais de integração ao longo da avenida. Por meio de uma PPP, o projeto será ampliado e levará a rodoviária para a região aeroportuária, onde também serão construídas duas alças viárias interligadas aos Litorais Norte e Sul. Assim, o tráfego de ônibus será eliminado da Fernandes Lima, desafogando o trânsito. Para os demais gargalos, como a rotatória da PRF, o Estado desenvolve projetos e busca recursos para executá-los. Quando se trabalha com sistema viário urbano, é preciso atenção especial para não transformar uma possível solução em mais um foco de problemas. Qualquer intervenção terá impactos predominantemente positivos ou negativos, a depender do nível de planejamento. Um novo viaduto, por exemplo, até acelera o tráfego de veículos no local onde for construído, mas, se mal planejado, pode congestionar outros pontos interligados a ele e que possuíam trânsito livre. A visão sobre o transporte viário urbano precisa ser sistêmica. Precisa levar em consideração o crescimento do poder aquisitivo e do nível de exigência dos brasileiros. Para ter sucesso no setor, as prefeituras precisam fazer ampla discussão social antes de implementar novos projetos nas cidades, captando recursos junto ao governo federal e organismos internacionais, visando soluções definitivas para o trânsito. Caso contrário, corremos o risco de investir recursos públicos em obras pontuais, que até podem ter valor político momentâneo, mas além de não resolver os atuais gargalos viários, criarão novos problemas para a população.

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