Opinião
O BANQUETE DOS URUBUS
A obra estruturante da maior importância para Maceió continua sendo pauta de discurso em tempos de eleição. Basta a gente retornar ao passado e lembraremos do mesmo filme que já rendeu caminhões de votos para candidatos que encenam a comédia com muito gosto. As mesmas figurinhas carimbadas voltarão à cena repetindo a velha astúcia de que a emenda foi aprovada, os recursos estão assegurados e agora o negócio é para valer. Falamos da urbanização do Vale do Reginaldo, de necessidade extrema, prioridade um para resolver sérios e graves problemas que envergonham nossa capital, expõe milhares de pessoas à desumana qualidade de vida, polui o riacho do Salgadinho que recebe o maior depósito de esgoto e o despeja nas praias centrais e se estende pelo litoral urbano. Prato cheio para os candidatos lançarem impropérios contra seus opositores como se não fossem iguaizinhos a eles. Para os turistas que nos visitam atraídos pela propaganda de que aqui é um pedaço do paraíso, fica a pura frustração por não poderem se banhar nas águas coloridas de azul e verde, paisagem indispensável para os incontáveis cliques exibidos pelo mundo. A Praia da Avenida há anos está liberada para o banquete diário dos bem nutridos urubus, generosamente servidos pela carniça que desce do nosso lendário Salgadinho. Isso para não falar das famosas línguas negras que infestam as areias de Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca e Cruz das Almas. Relembrando uma história recente, em 2007 o projeto foi incluído no PAC ? Programa de Aceleração do Crescimento ? que garantiu recursos na ordem de 130 milhões de reais e responsabilidades divididas entre Estado e município para a execução da obra. À época, os gestores deram-se as mãos e entre juras de amor a cidade e ao povo de Maceió, prometeram a melhoria da qualidade de vida de 40 mil moradores, garantindo que até julho de 2011, o sonho do mundo encantado do Vale do Reginaldo viraria realidade. Sim, prometeram residências dignas, centro comunitário, creches-escolas, quadras poliesportivas, via de grande fluxo de veículos, ciclovia. Prometeram bairro moderno, planejado; prometeram felicidade. Maravilha! Nada aconteceu a não ser troca de farpas entre as partes. Um poder acusa o outro pela paralisação das obras e erro de projeto. Enquanto isso lá se vão 5 anos, os recursos seguem bloqueados pelo agente financiador e mais um sonho do maceioense virou pesadelo fruto da inconcebível inaptidão para gerir a coisa pública.