Opinião
A Eurocopa e o jogo da democracia
Ontem, a bola começou a rolar pela Eurocopa, principal evento plurinacional do futebol europeu. Pela vez primeira o torneio está situado na porção mais oriental do velho continente, em gramados localizados no que era antes ?o lado de lá?. Apesar da integração total ao modelo capitalista tradicional das nações outrora integrantes do bloco soviético, a sonhada confraternização democrática ainda não se faz notar, apesar da multiplicidade de siglas e da supremacia da economia de mercado naquelas terras do Leste. Pelo contrário, novas e velhas feridas estão abertas e expostas no decorrer da Eurocopa. A começar pelo boicote de governos importantes como o da Grã-Bretanha, que para lá não mandará representantes políticos por discordar da condenação, por corrupção, de uma aliada em tempo integral, a ex-presidente ucraniana Yulia Tymoshenko. A jogada britânica foi acompanhada pelos governos da Alemanha, Bélgica, Áustria e República Tcheca. Antes mesmo do início dos jogos na Ucrânia e na Polônia, um grupo de jovens e belas mulheres ucranianas deu a largada numa campanha de protesto contra a prostituição em seu país, e da forma que as torcidas mais gostam de ver: as moças usam como forma de luta o topless. As meninas do Femen denunciam que a Eurocopa vai turbinar a rufianismo por detrás do que foi a cortina de ferro. Outra faceta nada edificante naquelas plagas é o ressurgimento do racismo, algo de força no passado recente naquelas áreas, territórios onde o nazismo logrou arrebanhar não só muitos simpatizantes, mas soldados para suas forças armadas, recrutados entre os grupos anticomunistas da Polônia, Ucrânia, Rússia... Hoje, neonazistas têm feito a festa na Polônia, onde foram filmadas recentemente cenas de espancamentos de torcedores asiáticos, enquanto grupos de torcedores faziam saudações nazistas. A esperança é que essas demonstrações de barbárie não enevoem a Eurocopa e que as atenções do mundo façam recuar essas tendências que ameaçam o jogo da democracia no lado oriental da Europa.