Opinião
A VIOL�NCIA, O EMPREGO E OS TIT�S
A sensação de insegurança é tamanha, que levou o respeitado e pacato engenheiro Marcos Carnaúba a escrever um artigo, publicado recentemente na Gazeta, onde pede que as armas de fogo sejam devolvidas ao cidadão de bem, para que ele possa se defender dos criminosos. Certamente, sua opinião é compartilhada por muita gente, tão desesperada quanto desencantada com a ação estatal para defender a comunidade da criminalidade. Embora não comungue com essa solução, por achá-la um retrocesso e por não possuir nenhuma habilidade para trocar tiros com meliantes, entendo perfeitamente que ? diante de uma situação, na qual, cada um ao sair de casa, não sabe se volta; tal qual uma roleta russa, onde todos, um dia, se defrontarão com um ameaçador revólver ? o cidadão de bem, alarmado e desprotegido, quer ter uma saída, mesmo extremamente arriscada. Na busca por soluções para a criminalidade, o Instituto Latino-americano da ONU para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (INALUD) aprofundando, chegou à conclusão que o desemprego é importante na elevação da criminalidade, mas não é um processo imediato: um desempregado não parte para a criminalidade imediatamente após ser despedido; leva algum tempo. Brevi manu: a criminalidade atual (sem levar em conta a ação avassaladora das drogas) seria uma resultante histórica. Concomitantemente, em Los Angeles, uma das metrópoles mais violentas dos EUA, a criminalidade vem diminuindo significativamente há sete anos, embora todo o país esteja em crise econômica e com elevado desemprego desde 2008. A razão: a impunidade para os criminosos é reduzida a cada dia naquele país, ao contrário do Brasil, onde somente 8% dos crimes de morte são penalizados. A inapetência da Polícia; a frouxidão das leis perante os criminosos de todas as idades; o descaso do Legislativo, entre outras causas, precisam ser enfrentadas e superadas vigorosamente. Todavia, é consensus omnium que a manutenção e/ou elevação dos empregos em nenhum lugar do mundo aumenta a criminalidade. Assim, empresários como Emerson Tenório, que mantêm as suas empresas em Alagoas, somente por seus compromissos e suas ligações com sua terra, são exemplos vivos e dignificantes de titãs, que mesmo tendo melhores oportunidades em outras plagas, acreditam e investem em Alagoas, nos ajudando de forma prática e objetiva a enfrentar essa situação crítica, sem agravá-la ainda mais.