Opinião
ACESSIBILIDADE UM DIREITO AINDA DISTANTE
Uma pausa na série Gente que é História para falar de um tema pouco abordado: acessibilidade. A liberdade do portador de necessidades especiais. Um termo mais elegante para tratar aquele, que, de uma forma ou de outra, está tolhido do acesso pleno à vida. A experiência de estar realizando um projeto, com verba do IBRAM ? Instituto Brasileiro de Museus, para o nosso Museu de Tecnologia do século 20, onde, entre outras melhorias, está a acessibilidade ao deficiente visual, é realmente estarrecedora. Primeiro, porque se trata de algo novo e o pioneirismo em qualquer área tem seu preço. O comércio de Alagoas sequer conhece piso podo táctil ou impressão em braile. Este último é ainda mais impressionante, porque o País inteiro parece engatinhar nessa área. Contextualizar um acervo para o cego tocar cada peça parece um paradoxo. A escrita em braile é muito mais longa do que a escrita impressa. Com isso, os textos precisam ser sintetizados ao máximo para caber numa plaqueta, cujo preço é assombroso. O que significa que sempre haverá uma perda de informações, que tentamos suprir com a orientação (também em braile) de cada sala. Mesmo com o piso direcional, é necessário que o deficiente visual perceba, de antemão, as dimensões e a disposição do acervo, indicando o lado direito, esquerdo etc. Ora ainda precisa na entrada um mapa táctil para que este possa ter uma ideia do espaço e caminhe sobre o piso adequado. O que aliás, é preciso que se diga que as normas sobre assunto orientam sobre cores vivas para o aproveitamento de quem tem baixa visão. Não é colocar piso preto, achando que o cego não precisa ver cor. É importante dizer que o que estamos tentando criar é um ambiente de independência para o deficiente visual, com um circuito já adequado ao cadeirante, onde ambos não precisem de um guia. Isto é o que consideramos acessibilidade plena. Afinal, estamos vivendo até agora, na impressão de que esta acessibilidade tão apregoada é real. E não é de forma alguma. O planejamento urbano não é feito para cegos, andar nas calçadas é desastroso, principalmente, no comércio de Maceió. Nós nos acostumamos a ver o cego sempre com alguém do lado. Não imaginamos que a tecnologia permite o acesso ao computador, ampliar a letra até 160% para as pessoas com baixa visão (como eu mesmo), permite a sintetização de voz e outros recursos ainda mais modernos. Depois, imaginar que o cego é, potencialmente, apto a exercer a plenitude de sua cidadania.