Opinião
NO CENTRO DAS DISCUSS�ES AMBIENTAIS
Pela segunda vez o Brasil receberá a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente. A primeira aconteceu em 1992 (Eco92). A reunião atual recebe o título simpático de Rio+20. O que conquistamos em vinte anos de grandes discussões sobre a relação do homem com a natureza? A verdade é que a grande conquista até agora parece ser um processo gradual de conscientização de parte da sociedade de que é necessário mudar práticas nocivas ao meio ambiente. As opiniões se dividem. O movimento ambientalista defende que ainda são poucas as ações ousadas sobre a situação ambiental, merecendo, portanto, mais atenção de governos e da sociedade. Por outro lado, o mercado produtivo diz que há avanços consideráveis, inclusive em tecnologias menos predadoras. É nesse ponto que surgem as perguntas: quais medidas são necessárias ? imediatamente e em futuro próximo ? para atenuar o problema ambiental? Quem questiona deve propor, quem propõe deve assumir. As respostas a essas perguntas poderão ser dadas pela Cúpula dos Povos ? um evento que ocorrerá paralelamente à Rio +20 e que promete discutir os reais motivos da crise ambiental. Quando discuto esse problema ambiental lembro-me de um fato curioso. O ex-governador do Amazonas Gilberto Mestrinho contou, em entrevista, que passeava em Paris, no Champs-Élysées, quando encontrou um grupo de jovens franceses com uma faixa: ?Salvem a floresta amazônica?. Recolhiam donativos para essa espetacular missão. Mestrinho dirigiu-se ao grupo, mas ninguém falava português. Apareceu um intermediário que explicou: ?Vamos ao Brasil para recuperar a floresta; assim salvaremos o planeta?. O então governador do Amazonas riu do jeitinho ? à brasileira ? de conseguir dinheiro. Na Cúpula dos Povos, os recursos hídricos serão colocados no topo da agenda global, bem como os desmatamentos, devastação ambiental, poluição, efeito estufa e segurança alimentar, entre tantos outros fatores que comprometem a qualidade de vida dos seres humanos. Da Conferência espera-se que não sejam somente palavras lançadas ao vento. Apesar da melhoria da qualidade de vida, a diferença entre os muito ricos e os muito pobres continua crescendo. Somos parte do grande condomínio Terra e o pensamento deve estar voltado para os inquietantes problemas do presente e o bem-estar das futuras gerações.