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As pot�ncias, a ONU e a guerra na S�ria

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Novamente uma guerra civil localizada em terras médias orientais eleva os estresses internacionais. Desta vez, a coisa pega fogo na Síria, onde o morticínio avança entre as cruéis forças armadas governamentais e as milícias, igualmente armadas e cruéis, da oposição. Mais uma vez a ONU patina nesse teatro de operações. A impotência das Nações Unidas começa em casa, pela incapacidade de sequer costurar um esboço de plano que tenha o aval das potências com interesses diretos nessas áreas em erupção. Talvez a única declaração lúcida sobre a conjuntura síria seja a emitida pelo governo francês, exatamente porque admite o óbvio ululante: A Síria está em guerra civil. Os dois campos lançam-se ao combate de forma sanguinolenta, não poupando civis no lado inimigo. E a proposta gaulesa é simples e direta, exigindo que o cumprimento de qualquer plano de paz seja obrigatório para ambos os contendores. As principais nações ocidentais têm desenvolvido uma poderosa campanha midiática para que apenas as forças comandadas por Bashar al-Assad deponham suas armas, o que significa apelar para que entreguem-se ao massacre. À inegável brutalidade das ações militares do governo sírio, as forças rebeldes têm respondido com idêntica ou superior desumanidade. E este lado, o da ferocidade da oposição, é sublimado pela maioria da mídia ocidental. Uma das evidências da letalidade dos anti-Assad está contida na recente onda de divulgação midiática sobre o uso de crianças como ?escudos humanos?. Desgraçadamente, toda vez que essa crudelíssima versão é encampada, isto tem correspondido a uma esfarrapada desculpa por parte de quem está promovendo o morticínio de civis no lado adversário e, incapaz de justificar a mortandade de inocentes, acusa as vítimas de serem ?usadas como escudos?. Enquanto as maiores potências se preocupam apenas com as resultantes geopolíticas que possam advir da guerra civil síria, o povo daquele país vai sendo massacrado, simultânea e impunemente, por dois grupos em confronto. E, ao fim e ao cabo, uma nova ditadura substitui a velha.

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