Opinião
CINCO MESES PARA TRIBUTOS
Muito oportuno instituir o 25 de maio como o Dia de Respeito ao Contribuinte e Liberdade de Impostos. Este dia marca o momento em que terminamos de pagar nossos impostos, taxas e contribuições, referentes ao ano, aos governos municipais, estaduais e federal. Foram, precisamente, 146 dias trabalhando, somente, para pagar impostos que correspondem a 40,98% do nosso rendimento. No domingo 27, bateram a casa dos 600 bilhões de reais. Só para comparar, no México são 95 dias, no Chile, 97, na Argentina, 101 e nos EUA, 102 dias.O empresário brasileiro gasta 2.600 horas lidando com questões tributárias, enquanto o padrão mundial é de 200 a 300 horas. Oportuno também porque, quando se imaginava estar livre de pacotes econômicos, eles são colocados, de novo, como principais protagonistas de nosso conturbado noticiário. Baixar impostos como se fosse promoção de comércio, apenas temporária, é, na opinião de economistas renomados, de uma irresponsabilidade sem par. Fica, dessa forma, comprovado o entrave que o vigente sistema tributário causa ao bom desempenho da economia. Ao invés de descontos relâmpagos de tributos, partissem para uma reforma que sabemos ser de uma dificuldade maior, pois não se trata apenas do governo central, mas dos 27 Estados e diversos municípios, onde são gerados outros incontáveis impostos. Para tanto, nada melhor do que mostrar, na prática, como seria o preço de determinados produtos sem essa carga excessiva de impostos. Assim foi feito em vários Estados, onde ofereceram produtos e serviços com os impostos sendo pagos pelos patrocinadores de cada evento. Em BH, sob a chancela da CDL, aos primeiros clientes de um determinado posto de combustível, disponibilizaram 30 l de gasolina comum por motorista ao preço de R$ 1,753, quando o valor médio em MG é de R$ 2,816. O mesmo em Porto Alegre, quando o preço da gasolina, que é vendida a R$ 2,89, ofertou-se a R$ 1,59. Melhor no Rio, que fez o povão sentir o quanto lhe custa comer com altos tributos. Ali, foram a Associação Comercial e o Instituto Millenium os responsáveis. As 50 primeiras pessoas que chegavam ao Farani Café recebiam um vale desconto de 32% referentes aos impostos que incidiriam em seu prato. Essa é uma demonstração do quanto estamos sendo espoliados sem um correspondente retorno, principalmente, em educação, saúde e segurança pública. Não basta ser eficiente na arrecadação, tem de ter competência em gerir os recursos públicos.